A sucessão estadual no Maranhão caminha para ser uma das disputas mais emblemáticas do próximo ciclo eleitoral. Apesar do peso político do Palácio dos Leões, da importância de prefeitos e vereadores e, muitas vezes, da força econômica dos candidatos, um fator se impõe acima de todos: o presidente Lula. No Maranhão, Lula é historicamente o principal cabo eleitoral. Seu apoio explícito altera cenários e define resultados.
Lula sempre demonstrou grande força eleitoral no Nordeste e, de forma ainda mais intensa, no Maranhão. Esse alinhamento ganhou ainda mais consistência a partir de 2018, com o avanço da polarização política no país. A polarização nacional se refletiu nos estados, tornando o voto cada vez mais calcificado em dois grandes blocos: petismo e antipetismo. O lulismo — ou petismo — representa cerca de 70% do eleitorado maranhense, percentual equivalente à votação obtida por Lula em sua última eleição no estado. O voto passou a ser mais coeso, socialmente alinhado e, muitas vezes, afetivo na relação do eleitor com o presidente. Um exemplo concreto desse fenômeno foi a eleição de 2022: após a visita e o apoio explícito de Lula, Brandão disparou nas pesquisas e venceu a disputa ainda no primeiro turno.
Nesse contexto, ganha relevância a sinalização de que Lula não apoiará Orleans. Há um evidente incômodo político e social em levantar a mão de um nome sem trajetória pública consolidada, associado a práticas históricas de oligarquia, nepotismo e mandonismo. Um apoio dessa natureza confrontaria diretamente o discurso que Lula construiu ao longo de sua trajetória política, marcado pelo combate ao coronelismo, além de gerar forte desgaste junto à militância petista e aos movimentos sociais.
No cenário atual, Braide aparece como favorito. Lidera todas as pesquisas com percentuais superiores a 30%, mas ainda precisa alcançar os 50% mais um voto para vencer no primeiro turno. Caso haja uma aliança com Lula, com apoio recíproco, o caminho para essa vitória se torna viável. Esse movimento teria impacto direto também na disputa para o Senado, fortalecendo nomes como Felipe Camarão e Fufuca, dois candidatos competitivos e identificados com o presidente. Trata-se de uma articulação que tende a ser construída no plano nacional, envolvendo partidos como PT, PSD e PP.
Felipe Camarão, por sua vez, ocupa uma posição estratégica nesse cenário. Filiado ao PT, portador do número 13 e com trajetória reconhecida, especialmente na área da educação, já elogiada por Lula, Felipe reúne atributos centrais do campo lulista. Com apoio firme do presidente, ele tem condições reais de chegar ao segundo turno e superar Orleans, mesmo diante da estrutura política e administrativa do Palácio.
Ao final, a equação é simples: o governador pode deter a máquina, mas Lula tem o voto. Sua força eleitoral permanece praticamente intacta no Maranhão e será ela, mais uma vez, que decidirá os rumos da eleição.
