A tentativa do Palácio dos Leões de emplacar, na imprensa aliada, a narrativa de que a prefeita de Lago da Pedra, Maura Jorge, poderia ser vice na chapa liderada por Orleans Brandão soa como desrespeitosa — e, sobretudo, ofensiva à trajetória de uma mulher com décadas de serviços prestados à política do Maranhão. Apresentá-la como uma espécie de “babá” de um jovem inexperiente, indicado pelo pai e escolhido pelo tio para disputar o Governo do Estado, revela mais sobre o oportunismo político dos Brandão do que sobre a capacidade de Maura.
Maura Jorge tem história. Foi deputada estadual por quatro mandatos consecutivos a partir de 1990. Na Assembleia Legislativa, presidiu comissões importantes, como a de Obras e Serviços Públicos, a de Educação e a de Defesa do Consumidor, além de ter sido vice-presidente da Casa e vice-líder de governo. No Executivo, foi eleita prefeita de Lago da Pedra em quatro ocasiões — a mais recente com vitória expressiva em 2024. Em 2018, mesmo sem apoio das grandes estruturas políticas e enfrentando Flávio Dino no auge do poder, teve desempenho competitivo ao disputar o governo do Estado.
Com essa bagagem política e administrativa, é impensável tratá-la como coadjuvante de um projeto dinástico, encabeçado por alguém que sequer acumulou experiência como gestor público ou privado. Orleans Brandão, que nunca ocupou qualquer cargo eletivo ou função relevante, hoje figura como pré-candidato ao governo do Maranhão apenas por ser filho e sobrinho dos atuais ocupantes do poder.
Setores da mídia ligada ao Palácio dos Leões ventilam a possibilidade de Maura compor como vice na chapa de Orleans em 2026. Alegam que sua presença daria capilaridade à candidatura, especialmente no Médio Mearim, onde tem influência consolidada. Mas a pergunta que se impõe é: com todo esse histórico e prestígio político, Maura Jorge aceitaria o papel de “mordoma” do clã Brandão?
A prefeita de Lago da Pedra já demonstrou independência e coragem política em diferentes momentos. É vista como uma liderança de postura firme e discurso afiado — características que destoam da timidez política e oratória vacilante de Orleans, que ainda engatinha em treinamentos de media training pagos com dinheiro público. Caso venha a integrar uma chapa, não seria surpresa se Maura acabasse ofuscando o próprio cabeça.
Declaradamente bolsonarista e filiada ao Progressistas — agora federado ao União Brasil e próximo ao grupo governista —, Maura mantém boa relação com Carlos Brandão. Essa proximidade, no entanto, pode ser insuficiente para convencer uma mulher com trajetória própria a se submeter aos caprichos de uma elite política que já deu demonstrações de que não cumpre acordos, como mostram os casos de Felipe Camarão, Weverton Rocha e Eliziane Gama, todos escanteados em nome de conveniências do momento.
Com fôlego eleitoral, experiência comprovada e base consolidada no interior do estado, Maura Jorge tem potencial para eleger o filho Rui Jorge deputado estadual, disputar, com competitividade, uma vaga na Câmara Federal ou até mesmo protagonizar um projeto alternativo ao da oligarquia familiar que hoje tenta perpetuar no poder.
