Pesquisa da Econométrica provoca desconfiança e reacende críticas sobre tentativa de impulsionar candidatura de Orleans Brandão

Bastidores da política maranhense avaliam que números divulgados reforçam estratégia do Palácio dos Leões para viabilizar nome sem adesão popular consistente.

A divulgação de uma pesquisa eleitoral pelo instituto Econométrica, nesta semana, gerou desconfiança e críticas nos bastidores da política maranhense. Prefeitos, lideranças políticas e analistas avaliam que o levantamento representa mais uma tentativa do grupo do governador Carlos Brandão de impulsionar artificialmente a pré-candidatura de Orleans Brandão, apontado como projeto político familiar.

Segundo interlocutores ouvidos pela reportagem, a leitura predominante é de que os números não refletem a realidade percebida no campo político e eleitoral do estado. Para esses observadores, a estratégia adotada desde 2025 tem sido utilizar pesquisas favoráveis como instrumento para criar uma percepção de viabilidade eleitoral.

“A candidatura não empolga, não decola, e a única forma encontrada para tentar sustentá-la é por meio da divulgação recorrente de pesquisas com números questionáveis”, avaliou um analista político experiente ouvido pelo Portal G7, nesta quarta-feira (21). Pesquisa Espontânea.

Nos bastidores, a avaliação é de que Orleans Brandão não aparece como um nome competitivo para a disputa ao governo do Maranhão, sendo frequentemente comparado ao projeto político de Edinho Lobão, em 2014, quando uma candidatura de perfil familiar foi lançada sem conseguir adesão popular significativa.

A Econométrica, inclusive, já vinha divulgando desde novembro de 2025 levantamentos que colocavam Orleans Brandão com percentuais elevados de intenção de voto. Esses números, no entanto, passaram a ser questionados após a divulgação de pesquisas realizadas por institutos nacionais, em dezembro, que apresentaram um cenário bem diferente, enfraquecendo a narrativa de crescimento da pré-candidatura Orleanista.

O histórico do instituto também é lembrado por lideranças políticas. Em 2014, a Econométrica chegou a apontar vitória de Edinho Lobão no governo do estado, resultado que não se confirmou nas urnas. Esse antecedente contribui para a desconfiança com os dados atuais.

Além disso, críticos destacam que não houve fatos políticos relevantes recentes que justificassem um crescimento expressivo de Orleans Brandão. Pelo contrário, o que se observa, segundo relatos, são eventos com baixa mobilização popular no interior, dificuldade de articulação política e um vídeo recente em que Marcus Brandão aparece pedindo apoio explícito para o filho, gesto interpretado como tentativa de construir artificialmente um ambiente de força política, especialmente às vésperas de um encontro entre o governador Carlos Brandão e Lula em Brasília.

Nas redes sociais, a repercussão da pesquisa foi imediata, com usuários questionando os números e ironizando o levantamento, reforçando a percepção de que há uma tentativa de impor uma candidatura que ainda não se sustenta de forma autônoma.

Enquanto isso, no interior do Maranhão, seguem manifestações e cobranças ao Governo do Estado por melhorias concretas na saúde, na educação e na infraestrutura rodoviária. Para lideranças locais, em um cenário de desgaste administrativo e crescente insatisfação popular, torna-se ainda mais difícil viabilizar um projeto eleitoral familiar sem base sólida e sem respaldo consistente da população.

Sair da versão mobile