A imagem conservadora que hoje sustenta o mandato da deputada estadual Mical Damasceno contrasta fortemente com a origem política de sua trajetória. Nascida de uma estrutura profundamente ligada ao poder institucional da Assembleia de Deus no Maranhão, Mical é filha do pastor Pedro Aldir Damasceno, ex-presidente da CEADEMA (Convenção Estadual das Assembleias de Deus no Maranhão), que utilizou a força da instituição religiosa para firmar alianças políticas com o então governador comunista Flávio Dino (PCdoB).
Durante a gestão de Pedro Aldir, a CEADEMA se envolveu abertamente com a política estadual, apoiando o governo comunista e indicando aliados para ocupar espaços estratégicos, como as capelanias da segurança pública — cargos comissionados de influência e prestígio. Essa aliança foi motivo de indignação dentro do meio evangélico tradicional, como demonstra uma carta pública de repúdio escrita pelo pastor Anselmo Cardoso de Carvalho, da própria Assembleia de Deus. (Leia licando Aqui…).
Mesmo com discurso de combate ao comunismo e à esquerda lulista, Mical Damasceno nasceu e se fortaleceu exatamente dentro dessa estrutura, se tornando uma lularista (políticos que se declaram bolsonaristas, mas apoiam governos do amigo de Lula). Sua ascensão política é um reflexo direto da construção feita por sua família no seio da igreja e nas articulações com governos alinhados à esquerda.
O que chama ainda mais atenção é que, atualmente, a deputada, mesmo deputada, mesmo alinhada ao bolsonarismo — segmento que se posiciona contra o lulismo e o socialismo —, comanda diversos órgãos dentro do governo estadual liderado pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB), cujo presidente no Maranhão é o governador Carlos Brandão, aliado direto de Lula e sucessor político de Flávio Dino.
A contradição salta aos olhos: enquanto sustenta bandeiras conservadoras no plenário da Assembleia Legislativa, nos bastidores Mical Damasceno mantém influência e controle sobre cargos em um governo socialista, revelando uma continuidade da prática política da família — pragmática e voltada à ocupação de espaços de poder, independentemente do campo ideológico.
A trajetória da deputada, portanto, está longe de ser apenas uma caminhada de fé e princípios: é também herança de alianças políticas com o próprio sistema que ela hoje afirma combater.
