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Governador Brandão fortalece bolsonarismo no Maranhão ao entregar secretaria a Mical Damasceno

Deputada bolsonarista comanda a Secretaria de Relações Institucionais e amplia influência sobre o segmento evangélico com apoio do governo estadual.

Enquanto busca consolidar sua imagem de aliado do presidente Lula em Brasília, o governador do Maranhão, Carlos Brandão (PSB), tem adotado uma postura ambígua no plano local. Ao ceder espaços estratégicos na estrutura do governo estadual à deputada Mical Damasceno (PSD), uma das principais representantes do bolsonarismo no estado, Brandão reforça, na prática, o campo político que faz oposição frontal ao governo federal.

Ligada à ala mais conservadora da Assembleia de Deus, Mical comanda, por meio de um aliado, a Secretaria de Relações Institucionais do Maranhão — uma pasta com forte interlocução com igrejas evangélicas, movimentos religiosos e lideranças comunitárias. Além disso, a parlamentar também exerce influência sobre um hospital macroregional na cidade de Viana-MA, onde tem sua base eleitoral e mantém sob sua alçada dezenas de cargos comissionados e contratados.

Autodenominada “apóstola”, Mical e seu pai, o pastor Pedro Aldi Damasceno, já estiveram próximos do ex-governador Flávio Dino. À época, o apoio ao então governo comunista veio em troca de cargos de capelão distribuídos a aliados. Hoje, porém, a deputada atua como linha de frente da oposição bolsonarista no Maranhão, mesmo permanecendo como beneficiária de recursos, estrutura e cargos fornecidos pelo atual governo estadual — agora comandado por um socialista tucano que se diz aliado do Palácio do Planalto.

A contradição é evidente: Brandão declara fidelidade ao presidente Lula, mas sustenta e fortalece, dentro de sua gestão, uma das vozes mais críticas ao governo federal. Nos bastidores, cresce a avaliação de que o governador estaria flertando com setores da extrema direita para ampliar sua base política com vistas às eleições municipais e à própria sucessão estadual.

ASSEMBLEIA DE DEUS POLITICANDO

A atuação de Mical Damasceno também tem levantado críticas dentro do segmento evangélico. Durante o mês de julho, a deputada foi destaque em diversos eventos promovidos pela Assembleia de Deus, especialmente o Congresso da Mocidade (COMADEMA), que percorre diversas cidades do estado. Embora se trate de uma atividade religiosa, o evento tem sido marcado por forte viés político-partidário, com ataques indiretos a adversários da deputada e aplausos direcionados à figura da parlamentar — o que tem gerado desconforto até mesmo entre membros da própria congregação.

Em vez de priorizar o conteúdo religioso, muitos desses encontros têm servido como palanque para a promoção pessoal de Mical, que transforma a pauta da fé em instrumento de mobilização política e de confronto ideológico, sempre em tom conservador. O resultado, segundo críticos, é um processo de instrumentalização da fé em favor de um projeto de poder que mistura religião, bolsonarismo e ocupação de espaços públicos — com o aval e o patrocínio do governo Carlos Brandão.

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