POLÍTICA

Seis anos após deixar Wellington do Curso sem legenda para beneficiar Braide, Roberto Rocha bebe do próprio veneno

É bom lembrar que, em 2018, Braide tentou viabilizar sua candidatura ao Governo do Maranhão para enfrentar Flávio Dino, mas Roberto Rocha lhe fechou as portas do PSDB.

A política costuma ser implacável com quem acredita que o poder é eterno. Mais cedo ou mais tarde, o tabuleiro muda, as peças se movimentam e antigos estrategistas acabam vítimas das próprias jogadas. Roberto Rocha parece estar vivendo exatamente esse momento.

O velho ditado popular nunca fez tanto sentido: “Quem com ferro fere, com ferro será ferido”. No Maranhão, poucos episódios ilustram tão bem essa máxima quanto a trajetória recente do ex-senador.

Em 2018, Roberto Rocha comandava o PSDB no Maranhão e tinha nas mãos o destino eleitoral de Eduardo Braide. O então deputado, que era filiado ao nanico PMN, buscava uma legenda grande para disputar o Governo do Estado contra Flávio Dino, mas encontrou as portas fechadas. Roberto preferiu reservar o partido para si, apostando que seria capaz de liderar a oposição. O resultado todos conhecem: uma candidatura sem força política e um desempenho eleitoral muito abaixo das expectativas.

Naquele momento, Braide aprendeu uma das lições mais duras da política: aliados de ocasião raramente pensam no projeto coletivo; quase sempre colocam seus interesses acima de qualquer compromisso.

Dois anos depois, o jogo virou.

Às vésperas da eleição para a Prefeitura de São Luís em 2020, Braide reapareceu ao lado de Roberto Rocha. Para muitos, parecia o reencontro de dois aliados. Nos bastidores, porém, a aproximação teria outro objetivo: neutralizar Wellington do Curso dentro do PSDB, que despontava como um dos principais adversários na disputa pelo Palácio de La Ravardière.

Sem legenda, Wellington ficou fora da corrida eleitoral, graças a Roberto Rocha. Braide teve o caminho consideravelmente facilitado e conquistou a prefeitura da capital. Hoje Wellington do Curso está abraçado com Braide, mesmo que contra a vontade do ex-prefeito de São Luís.

Encerrada a eleição, a utilidade política da aliança parece ter terminado. Roberto Rocha, que havia apostado em Braide, acabou relegado ao esquecimento. O telefone silenciou, a parceria desapareceu e o ex-senador percebeu que, na política, gratidão costuma ter prazo de validade.

Agora, a história parece fechar um ciclo.

Enquanto articulava seu retorno ao Senado pelo Partido Novo, Roberto Rocha viu o cenário mudar diante dos próprios olhos. Nos bastidores, Eduardo Braide teria trabalhado para fortalecer o nome do ex-prefeito de São Pedro dos Crentes, Lahésio Bonfim, como pré-candidato ao Senado, numa movimentação que acabou esvaziando completamente o espaço político pretendido pelo ex-senador.

O recado foi claro: quem um dia impediu Braide de disputar o Governo agora assiste, praticamente sem reação, ao prefeito influenciar os rumos de uma candidatura que sonhava viabilizar.

Na política, memória costuma valer mais do que discursos. Braide pode até não esquecer desaforos, mas demonstra que prefere responder com articulação, e não com palavras. Roberto Rocha, que um dia distribuiu vetos, hoje enfrenta o constrangimento de experimentar a mesma receita que ajudou a servir aos adversários.

No fim das contas, sobra uma constatação inevitável: na política não existem vítimas permanentes nem algozes eternos. Existem apenas ciclos. E o ciclo de Roberto Rocha parece ter lhe reservado exatamente o prato que ele próprio ajudou a preparar.

Como diz outro velho ditado, a vingança é um prato que se come frio. Pelo visto, no Maranhão ela também costuma ser servida nas convenções partidárias.

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