EDUCAÇÃO

Dinheiro no Balde: Governo Brandão vai transformar TV Mirante em TV SEDUC

Sem licitação divulgada, governo do Maranhão deve derramar dinheiro público dentro do Grupo Mirante para transmissão de aulas pela TV.

O governador Carlos Brandão, anunciou parceria que prevê a utilização da TV Mirante para transmissão de aulas da rede pública estadual. Na prática, a iniciativa transformará o canal em uma espécie de TV SEDUC, com programação educacional voltada a municípios do interior do estado.

Segundo informações divulgadas pela própria gestão, a TV SEDUC/Educação transmitirá aulas pelo canal 10.2, alcançando cidades como Bacabal, Caxias, Codó, Pedreiras, Santa Inês, Timon e São Luís, além de outros municípios. A parceria com a TV Mirante, válida por 15 meses, prevê a exibição de conteúdo educacional por até 24 horas diárias.

De acordo com o governo Carlos Brandão, o objetivo é ampliar o acesso ao ensino público e fortalecer políticas educacionais por meio da televisão aberta. No entanto, até o momento, a SEDUC não detalhou publicamente os valores investidos na contratação do serviço, nem apresentou informações completas sobre custos, critérios técnicos ou eventual processo licitatório, o que levanta questionamentos sobre transparência.

A iniciativa também reacende um debate histórico na educação maranhense: a comparação com o modelo de tele-ensino implantado durante o governo Roseana Sarney, no início dos anos 2000. Agora Brandão diz criar um novo formato: Escola em tempo parcial.

ERA ROSEANA SARNEY

Durante o governo Roseana Sarney, foi implantado o programa Viva Educação, por meio de convênio milionário com a Fundação Roberto Marinho, ligada à Rede Globo. O projeto apostava em telessalas e aulas transmitidas via satélite como solução para enfrentar o analfabetismo e o atraso escolar de jovens e adultos no Maranhão.

A proposta permitia a conclusão do ensino fundamental e médio em regime acelerado, com duração aproximada de 15 meses. Milhares de telessalas foram instaladas em todo o estado. O investimento chegou a cerca de R$ 102 milhões, tornando-se um dos maiores contratos educacionais do período.

Apesar do discurso de modernização, o tele-ensino foi alvo de críticas de educadores e sindicatos, como o SINPROESEMA, que apontavam:

  • Falta de professores em sala de aula;

  • Qualidade questionável do ensino;

  • Substituição do ensino regular por modelo emergencial;

  • Utilização do programa como alternativa durante greves e crises no calendário escolar.

O Viva Educação permanece, até hoje, como uma experiência que divide opiniões quanto à sua eficácia pedagógica e ao custo-benefício para os cofres públicos.

ERA CARLOS BRANDÃO

Vinte e seis anos depois, o governo Carlos Brandão, atualmente aliado político do grupo Sarney, apresenta proposta que, na avaliação de críticos, reedita o modelo do tele-ensino, agora com nova roupagem e sob a denominação de TV Educação.

Segundo a SEDUC, a transmissão pela TV Mirante, de propriedade de Fernando Sarney, deverá atingir 95 municípios maranhenses. O convênio estabelece que não haverá inserção de publicidade comercial no canal educativo, sendo permitida apenas publicidade institucional do próprio governo.

A Secretaria de Educação será responsável pela produção e fornecimento do conteúdo exibido. No entanto, não foram divulgados de forma detalhada os valores do contrato, o que alimenta críticas de que o governo poderá derramar dinheiro público dentro do Grupo Mirante sem a devida transparência.

Para opositores, o projeto pode representar mais um capítulo de investimento elevado em soluções midiáticas para problemas estruturais da educação. Para o governo, trata-se de estratégia de ampliação do acesso ao ensino.

Entre discursos oficiais e memórias do passado, o debate volta à tona: trata-se de modernização tecnológica ou repetição de um modelo que já gerou controvérsias na história da educação maranhense?

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