BRASIL

Morar na Favela é a última opção, jamais uma escolha

"Quem criminaliza a favela, distribui "Senha Preconceituosa" para o extermínio de pobres", escreveu Isaías Rocha

Nos últimos anos os imbecis e analfabytes ganharam espaço nas redes sociais. Hipócritas com pouca leitura e conhecimento geográfico restrito apenas ao bairro que moram. Gente que não conhece a própria cidade onde nasceu, tem dificuldades em se comunicar com seu vizinho, mas nas redes sociais defeca pelos dedos, tentando sujar seus desafetos, mesmo estando fedendo hipoteticamente, apenas para ganhar likes. São pessoas que se acovardam mediante problemas sociais de sua cidade, bairro ou povoado, mas tentam mostrar conhecimento de outros territórios jamais visitados por elas. São os famosos doutores da internet.

O jornalista Isaías Rocha, trouxe à tona nesta quinta-feira (16), um artigo que me chamou bastante atenção, principalmente pelo título. Isaías, que também é bacharel em direito, foi categórico ao escrever que a [Criminalização da favela é a “senha” para o extermínio]. O jornalista se referiu sobre as críticas feitas por bolsonaristas ao ministro Flávio Dino, durante sua visita ao Complexo da Maré, no Rio de Janeiro.

Como bem disse Isaías Rocha em seu texto, a visita do ministro da Justiça e Segurança Pública à favela Nova Holanda, que faz parte do Complexo da Maré, para participar de um evento e ouvir lideranças locais na última segunda-feira (13), trouxe à tona, mais uma vez, o racismo e o preconceito pautados com fake news e ódio por aqueles que costumam atacar quem convive ou mora nessas localidades. Dos que fizeram comentários preconceituosos, 100% não conhecem a luta de quem mora em comunidades e acham que todos na favela são marginais. Ninguém escolhe morar na favela, residir nela é a última opção de uma família pobre, sem a mesma oportunidade de quem nasceu na área nobre. Na verdade, a favela abriga 100% de pessoas do bem, que trabalham, estudam, lutam dia a dia, mas infelizmente são importunados por marginais que procuram a favela por ser um local onde tudo demora chegar, inclusive segurança e políticas públicas em todas suas vertentes.

Quem conhece a favela, como é o meu caso, que visitei todas as comunidades cariocas durante 10 anos em que morei na cidade maravilhosa para trabalhar e estudar, sabe que não funciona como os bolsonaristas espalham nas redes sociais. Na favela tem Rádio Comunitária, TV Comunitária, Jornal Impresso Comunitário, Grandes Bancos, Lanchonetes Bobs e MCdonalds, mas faltam escolas e postos de saúde de qualidade. Sobram criatividades, nascem todos os dias milhares de empreendedores, que geram trabalho e renda, mesmo não tendo incentivo do poder público na favela. A favela é um refúgio aos invisíveis, que são lembrados apenas em confrontos entre polícia e traficantes. Ricos ou metidos a ricos discriminam as favelas, mas muitos deles ajudam a manter o tráfico de drogas vivo nelas, ao bancar seus “filhinhos viciados”, que sobem os morros cariocas para se abastecerem seus egos de drogas e nunca precisaram de seguranças.

Muitos bolsonaristas criticaram a entrada “tranquila” do ministro Flávio Dino na comunidade, chamando o complexo de uma das “favelas mais armadas do Rio de Janeiro”. Na verdade, todas as favelas cariocas são fortemente armadas, principalmente as dominadas por milicianos. Rio das Pedras, por exemplo, onde o miliciano Adriano da Nóbrega, ligado a Bolsonaro comandava, tem mais armas que qualquer quartel militar. Mesmo assim, lá só não sobem seus desafetos: polícia e traficantes. Para muitos bolsonaristas, subir nos morros cariocas agora é algo inédito. Mas alguém lembra quando Michael Jackson visitou o morro do Santa Marta em Botafogo em 1996? Ah, nesse período o bolsonarismo criminoso não existia.

Isaías Rocha marcou mais um golaço ao escrever que favelas não deveriam existir, claro. Ele disse que a miséria não é aceitável, nem negociável. “Romantizar a pobreza não faz justiça a quem dela vem e não aponta caminhos possíveis, mas aqui precisamos parar e refletir. O que não deveria existir é a favela como sinônimo de precariedade, mas as relações de sociabilidade construídas nestes locais são motivo de orgulho para quem mora lá. O que precisamos entender é quem exatamente se sentiu ofendido com a visita de Flávio Dino ao Complexo da Maré: quem associa favela a uma coisa vergonhosa ou quem nela mora? Fazer essa diferenciação é fundamental”, escreveu Isaías Rocha.

Cabe destacar que essa não é a primeira vez que bolsonaristas tentam criminalizar favelas e moradores disseminando desinformação. Na campanha eleitoral do ano passado foi a mesma coisa com a visita de Lula ao Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro. É bom lembrar, que do Alemão saiu o jogador Adriano Imperador, que até hoje toma cerveja e come churrasco com amigos por lá. O debate político do bolsonarismo não é à esquerda ou seus adversários, mas ao povo da periferia, que na maioria das vezes, não se identifica com as pautas do bolsonarismo, que são mentirosas.

Aos elitistas hipócritas, principalmente aqueles que se sustentam de impostos pagos pobres pobres favelados, pretos e homossexuais, favela não é sinônimo de banditismo! Favelado também não é bandido! Debates como esses se faz arrancando a dignidade das pessoas, que trabalham e lutam mesmo tendo seus espaços tomados por aqueles que fingem ser do povo, apenas para viver bem as custas da população brasileira.

Imaginem a situação de uma pessoa que mora em favela e assiste deputados e senadores eleitos pelo povo para defender os interesses da população carente, menosprezando sua existência em redes sociais ou em discursos nas Casas Legislativas do Brasil? Ou seja: saber que sua morte, prisão ou marginalização pode render votos para um projeto político que usa o preconceito como estratégia, mostra literalmente que a sociedade é culturalmente individualista, preconceituosa e hipócrita.

Esse discurso de criminalizar gays, mulheres, pretos, nordestinos, favelas e seus moradores é muito mais grave do que se supõe. O problema é que as leis são criadas por quem na grande maioria infringe as próprias leis e se agarram em uma moça chamada “imunidade parlamentar”, para defenderem teses criminosas em nome do poder, como tem acontecido na Câmara Federal, Assembleia Legislativas e Senado.

Todo esse discurso de ódio e preconceito é um claro sinal de que, para aqueles que compactuam com essa criminalização, a vida das pessoas que ali moram, por falta de oportunidades melhores, não tem o menor valor; que elas não têm direitos iguais quem nasceu e vive em áreas nobres e que podem ser eliminadas, principalmente por aqueles que defendem a liberação de armas. É uma senha para o extermínio, como bem disse o jornalista Isaías Rocha.

Por João Filho – jornalista, radialista e pesquisador (Texto baseado em um artigo escrito pelo jornalista Isaías Rocha [Veja AQUI])

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2 Comentários

  1. Quanta falta de interpretação! As críticas à “visita” do Flávio Dino não foi direcionada às favelas e muito menos às pessoas que moram lá e sim pela facilidade de alguém do governo andar por lá tranquilamente, já que sabemos que nenhum político anda em favela livremente sem “autorização” do “chefe do morro”. Sinceramente, esse seu texto é uma total desinformação para a população.

    1. Desinformação é você, que nunca foi a uma favela carioca e fica espalhando boatos. Os inimigos dos traficantes são os policiais e os traficantes de outras facções. Autoridades sobem nos morros, sim, bata ter a companhia de uma liderança política da região. Ou tu acha que político no Rio faz campanha eleitoral só no Flamengo, Botafogo, Laranjeiras, Ipanema, Leblon e Copacabana? O Rio tem deputados estaduais e vereadores com residências em morros. Teve uma governadora que nasceu e se criou no morro e até hoje visita a comunidade. Aos críticos desinformados, fica a dica: só entre em debate quando dominar o assunto..

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