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No Maranhão, matar só é crime se o autor for pobre? Um ano após matar policial, prefeito assassino continua solto

Crime ocorrido em 6 de julho de 2025, durante uma vaquejada em Trizidela do Vale, segue sem desfecho definitivo, enquanto o prefeito investigado continua respondendo ao caso em liberdade.

Há exatamente um ano, o Maranhão foi palco de um dos episódios mais chocantes de sua história recente. O policial militar Geidson Thiago da Silva dos Santos morreu após ser baleado durante uma vaquejada realizada no município de Trizidela do Vale. O principal suspeito pelo crime é o então prefeito de Igarapé Grande, João Vitor Xavier.

Desde então, a ausência de um desfecho definitivo para o caso alimenta um forte sentimento de indignação na sociedade. Para muitos maranhenses, o episódio simboliza uma Justiça lenta e incapaz de oferecer respostas rápidas quando pessoas com influência política figuram entre os investigados.

O caso também desencadeou uma intensa disputa de narrativas. Enquanto familiares e amigos do policial cobram celeridade nas investigações, conteúdos divulgados nas redes sociais buscaram atribuir à vítima parte da responsabilidade pelo ocorrido. Para pessoas próximas de Geidson Thiago, essa tentativa de desqualificar sua memória representa uma segunda violência, agora no campo moral.

João Vitor Xavier pertence a uma família tradicional da política maranhense. É filho do prefeito de Bernardo do Mearim, Júnior Xavier, sobrinho do ex-prefeito de Igarapé Grande, Erlânio Xavier, e aliado político do senador Weverton Rocha. Embora esses vínculos, por si só, não comprovem qualquer interferência institucional, eles têm alimentado questionamentos públicos sobre a imparcialidade e a rapidez na condução do caso.

Segundo relatos divulgados durante a investigação, a discussão teria começado após o policial solicitar que o motorista reduzisse a intensidade dos faróis do veículo. O desentendimento evoluiu e terminou com disparos que causaram a morte do militar.

Um ano depois, permanece a pergunta que ecoa entre familiares da vítima e parte da sociedade: se o investigado fosse um cidadão sem mandato, sem influência política e sem conexões com importantes lideranças estaduais, o tratamento das instituições teria sido o mesmo?

Essa é uma indagação que somente uma investigação transparente, um processo célere e uma decisão judicial fundamentada poderão responder. Enquanto isso não ocorre, a sensação de impunidade continua alimentando a descrença de muitos cidadãos nas instituições responsáveis por garantir que todos sejam tratados de forma igual perante a lei.

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