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1001 explora motoristas e cobradores em São Luís-MA

Mesmo com salários atrasados, os funcionários foram obrigados a voltar ao trabalho

Os 1.400 trabalhadores da Empresa 1001, que fizeram 100% de paralisação na última sexta-feira (28), por causa de atraso no pagamento de salários, decidiram voltar ao trabalho na manhã deste sábado (29), após uma decisão da Justiça do Trabalho do Maranhão que determinou a circulação de 60% da frota de ônibus. O prefeito de São Luís, Edivaldo Holanda Jr (PDT), sequer se manifestou sobre o caso em favor dos trabalhadores, assim como o governador do Maranhão, Flávio Dino, que pouco está se lixando para quem trabalha e não recebe salário.

Para garantir o cumprimento da decisão, policiais militares estiveram presentes na porta da garagem da empresa, na MA-202, a Estrada da Maioba, na Forquilha. A preocupação era com a revolta dos rodoviários diante de mais uma decisão judicial contra a categoria.No Maranhão, quem trabalha é condenado e quem escraviza é absolvido, como é o caso dos donos de ônibus coletivos na capital maranhense, que não pagam os funcionários, alegando falta de grana, mas brigaram para concorrer à “licitação do transporte público”.

Pela decisão, a frota deveria voltar a circular no mínimo 60% em cada empresa atingida pela greve, em todas as linhas, itinerários e em todos os horários, sob pena do pagamento de multa diária no valor de R$ 10 mil imputada ao sindicato dos rodoviários. Os trabalhadores deveriam sair para trabalhar e usar catraca livre até terminar combustível para que os empresários passem a respeitar quem trabalha neste país.

Essa decisão da Justiça do Trabalho foi em reposta à ação da Procuradoria-Geral do Município. Entre as razões da decisão liminar em resposta ao pedido de tutela cautelar antecedente, o juiz plantonista considerou que a paralisação total do serviço de transporte público urbano surpreendeu o município e a população. Se o prefeito Edivaldo Holanda Jr, fosse macho, quebraria o contrato com qualquer empresa que desrespeitasse a CLT, mas não tem coragem para agir, haja vista que as empresas são quem mandam na gestão e principalmente no transporte publico de São Luís.

Na alegação, são expostas outras irregularidades cometidas pelo movimento paredista como a comunicação aos empregados e à comunidade, bem como a falta de manifestação acerca da manutenção do serviço essencial. Desta forma os sindicatos deixaram de cumprir os trâmites legais do direito de greve que tratam do serviço de transporte coletivo, destaca a decisão. Como os juízes não recebem salário mínimo, eles não sabem o que é dividir R$ 954,00 para sobreviver em 60 dias. Para tirar o dele da reta, Edivaldo joga o pano quente na mão do judiciário.

O fato foi comunicado à Procuradoria-Geral do Município pela Secretaria Municipal de Trânsito e Transporte (SMTT) que ainda nas primeiras horas do dia providenciou as medidas judiciais cabíveis. A decisão judicial respondeu a requerimento do Município de São Luís em desfavor dos sindicatos e consórcio referidos que promoveram a paralisação total dos serviços às primeiras horas de sexta-feira (28). Segundo a decisão, a oferta dos serviços deve ocorrer imediatamente ao recebimento do comunicado da decisão aos requeridos. Para apoiar os empresários, a prefeitura de São Luís, através do prefeito Edivaldo Holanda Jr, agiu rapidamente. Isso não foi pensando nos passageiros e sim pela pressão dos empresários que mandam e desmandam na gestão.

A Justiça do Trabalho considerou ainda que a paralisação se constitui em situação de extrema gravidade “uma vez que o Consócio Via SL detém uma frota de 180 ônibus”, respondendo pelo transporte de mais de 100 mil passageiros por dia. Diante da situação de caos e subtração de direitos e garantias constitucionais, o Poder Judiciário Federal decidiu intervir no movimento grevista, considerando que as medidas necessárias para restabelecer direitos da coletividade. A justiça só esqueceu que os motoristas e cobradores tem famílias e precisam receber seus salários. Queria ver quantos magistrados com salários atrasados sairiam de casa para trabalhar?

Promessa de pagamento de adiantamento e salário de dezembro

A determinação de circulação imediata de 60% da frota da Empresa 1001 enfraqueceu o movimento dos trabalhadores. Com isso, os 40% restantes foram praticamente obrigados a voltar ao trabalho sob pena de retaliações.

A empresa prometeu pagar o adiantamento de salário, vencido no último dia 20, até a próxima quarta-feira (02). Já o restante do salário de dezembro, com vencimento no dia 05 de janeiro, deverá ser pago no dia 15. O salário de novembro, que estava atrasado, foi pago a alguns funcionários na tarde desta sexta-feira (28). O restante deveria receber ainda neste sábado (29). Esperamos que o trabalhador do transporte coletivo, que sofre com humilhações dos patrões e com a violência nas ruas da cidade, sejam mais respeitados, independente de quem quer que seja.

Com informações do Blog do Gilberto Lima

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