Carlos Eduardo critica caroneiros no jogo MAC 0 x 1 Santa Cruz, mas não revela lista
Presidente do MAC afirmou que mais de 2 mil torcedores entraram de graça no Castelão, mas evitou divulgar os nomes dos beneficiados.

O presidente do Maranhão Atlético Clube (MAC), Dr. Carlos Eduardo Dias, fez críticas contundentes à presença de “caroneiros” no duelo contra o Santa Cruz, no último domingo (21), pela semifinal da Série D do Campeonato Brasileiro, realizado no Estádio Castelão. Apesar do bom público registrado no “Gigante do Outeiro da Cruz”, a renda oficial ficou abaixo da expectativa da diretoria atleticana, o que gerou insatisfação nos bastidores.
De acordo com o borderô, 6.082 torcedores pagaram ingresso para acompanhar a partida. No entanto, a presença estimada no estádio ultrapassou 8 mil pessoas, revelando que pelo menos 25% do público entrou sem pagar. Segundo o próprio presidente, mais de 2 mil ingressos teriam sido liberados por meio de cortesias e listas “free”, sem contar com os que furam o bloqueio e entram de graça.
O Boletim Financeiro da partida apontou renda de R$ 136.240,00. Para a diretoria do MAC, a gratuidade concedida impactou diretamente na arrecadação, que poderia ter sido, no mínimo, R$ 50 mil superior.
“Em 2026 vão se zangar comigo. Aquele público domingo foi muito grande, só que em números reais ele foi pequeno, porque tive mais de 2 mil pessoas entrando de graça. Ninguém gosta de pagar no futebol maranhense. Eles gostam de criticar, mas em um show musical pagam, em um espetáculo teatral pagam, e no futebol maranhense não querem pagar. Muita gente entra de graça. Em 2026 vão se zangar comigo”, declarou o dirigente, em entrevista ao W7 Podcast, apresentado por Wanderson Seven.
O presidente reforçou que a contribuição financeira da torcida é fundamental para manter o clube competitivo em disputas estadual, regional e nacional.
Lista oculta e bastidores
Apesar da coragem em expor um problema antigo do futebol maranhense, Carlos Eduardo evitou citar quem seriam os beneficiados pelas cortesias. Nos bastidores, circula a informação de que as listas de ingressos gratuitos sempre incluíram convidados da Federação Maranhense de Futebol (FMF), políticos, magistrados, empresários e até profissionais da comunicação que sequer atuam diretamente na crônica esportiva.
A crítica, portanto, expõe apenas parte da questão. Se há o reconhecimento de que milhares de torcedores entram de graça, também seria necessário revelar a lista de quem usufrui desse privilégio — especialmente em jogos decisivos como MAC x Santa Cruz, quando o clube mais precisa de recursos.
Dois pesos, duas medidas
Outro ponto levantado nos bastidores é a contradição de muitos desses beneficiados. Em jogos de clubes nacionais, como Flamengo ou Vasco pelo campeonato carioca no Castelão, não há resistência em pagar ingressos que chegam a R$ 400. Já no futebol local, recorrem às cortesias para entrar de graça.
A fala do presidente do MAC é pertinente e abre espaço para um debate necessário sobre a profissionalização e sustentabilidade do futebol maranhense. No entanto, sem a divulgação da lista dos “caroneiros de plantão”, a crítica acaba soando incompleta — uma denúncia sem nomes, que mantém intacta a cultura das cortesias no esporte local.
Após a fala polêmica de Carlos Eduardo Dias e a repercusão nos bastidores, o MAC divulgou uma nota em sua rede social. Veja a Nota de Esclarecimento na íntegra abaixo.
O Maranhão Atlético Clube vem a público esclarecer alguns fatos que vem sendo distorcidos e replicados de maneira errônea por parte da mídia e políticos locais.
Em entrevista concedida ao W7 podcast no último dia 18 de setembro, o presidente Carlos Eduardo Dias deu declarações sobre diversos assuntos relevantes e pertinentes ao futebol maranhense, dentre eles, o grande número de pessoas que entram com cortesias nos jogos do clube.
Durante as falas do presidente, em nenhum momento foi dito, ou deu-se a entender, que a Federação Maranhense de Futebol tinha qualquer responsabilidade sobre tal fato, bem como em nenhum momento foi levantada existência de uma lista de gratuidades pretendida ou exigida pela entidade.
O problema do grande número de pessoas que acompanha aos jogos de maneira gratuita não é um problema recente e nem mesmo apontado apenas durante a atual gestão da junta interventora da FMF.
É inconcebível que as falas do digirente Carlos Eduardo Dias sejam utilizadas de maneira distorcida a fim de culpabilizar qualquer que seja a entidade, principalmente a responsável por fomentar o nosso futebol maranhense.
O Maranhão aproveita o momento para reiterar o compromisso com o torcedor atleticano de continuar trabalhando em prol do maior patrimônio do clube: a sua torcida.



