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CBF teria bancado despesas de familiares de Ednaldo Rodrigues, políticos e magistrados na Copa do Catar

Gestão de Ednaldo Rodrigues é marcada por escândalos envolvendo salários milionários, mordomias e desorganização financeira

Uma reportagem exclusiva da Revista Piauí, assinada pelo jornalista Allan de Abreu, escancara os bastidores da gestão de Ednaldo Rodrigues à frente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). A publicação revela um cenário de supostos abusos com recursos da entidade, envolvendo pagamentos de mordomias para familiares, políticos, magistrados e dirigentes de federações estaduais durante a Copa do Mundo do Catar, em 2022.

Segundo a matéria, enquanto a Seleção Brasileira era eliminada do torneio, um grupo de 49 brasileiros aproveitava o luxo em Doha, sem qualquer vínculo com a CBF. Hospedados em hotéis cinco estrelas pagos pela entidade, alguns viajaram em primeira classe e, pelo menos um deles, recebeu um cartão corporativo com limite diário de até 500 dólares — cerca de R$ 2,5 mil — para gastar livremente.

Família no camarote

O presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues, teria incluído nas despesas da confederação sua esposa, filha, genro, cunhada e dois netos. Todos teriam viajado em primeira classe e se hospedado no hotel Marriott Marquis City, um dos mais luxuosos da capital do Catar.

Além da família, a CBF também teria bancado os custos com passagens aéreas, hospedagem e ingressos para parlamentares, como o deputado federal José Rocha (União Brasil-BA), acompanhado da esposa, e o senador Ciro Nogueira (PP-PI), que levou a namorada.

Vida de luxo às custas da CBF

Apesar de receber cerca de R$ 1 milhão por mês, Ednaldo Rodrigues teria morado por nove meses no hotel Grand Hyatt, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, com tudo pago pela confederação. Mesmo após se mudar para um condomínio no mesmo bairro, continuava frequentando o hotel com a família — ainda com despesas bancadas pela entidade.

Enquanto isso, os presidentes das federações estaduais — que deveriam exercer um papel fiscalizador — passaram a ganhar salários turbinados. De R$ 50 mil mensais até 2021, os vencimentos subiram para R$ 215 mil, além de benefícios como o inusitado “décimo sexto salário”. Entre os sortudos, está o comandante da Federação Maranhense de Futebol (FMF), Antônio Américo, que assumiu a entidade em 2011 para ficar 30 dias, mas já permanece há 14 anos.

Receita bilionária, dívidas e cortes no essencial

Mesmo com receita líquida superior a R$ 1 bilhão em 2023 e com projeções de aumento substancial com o novo contrato da Nike (US$ 100 milhões por ano a partir de 2027), a CBF acumula 43 protestos em cartório por dívidas que somam R$ 2,6 milhões.

Paralelamente, cortou investimentos em áreas essenciais, como o treinamento da arbitragem — que passou a ser feito apenas por videoconferência. O impacto foi visível: no último Campeonato Brasileiro, 110 árbitros foram afastados por falhas técnicas. Em 2022, esse número foi de 40.

Relações políticas e jurídicas suspeitas

A reportagem da Revista Piauí também destaca a ligação direta da CBF com o Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), fundado pelo ministro do STF Gilmar Mendes. Pelo menos seis pessoas vinculadas ao instituto foram empregadas na confederação desde 2023. O diretor-geral do IDP é Francisco Schertel Mendes, filho do ministro.

Em dezembro do ano passado, Ednaldo Rodrigues foi destituído do cargo por decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, que considerou sua eleição irregular. No entanto, uma nova ação no Supremo Tribunal Federal (STF), movida pelo PCdoB — partido do secretário-geral da CBF, Alcino Reis Rocha —, recolocou Rodrigues no cargo. O caso caiu nas mãos do ministro Gilmar Mendes.

Antes disso, a CBF teria pago R$ 6,5 milhões ao advogado Pedro Trengrouse, apontado como braço direito de Rodrigues, para atuar nos bastidores da sua permanência no poder — mesmo sem constar formalmente como advogado da entidade.

“Farra institucionalizada”

Ex-funcionários ouvidos pela Piauí apontam uma gestão marcada por desorganização proposital e falta de transparência. “Fiquei com a impressão de que a desorganização era proposital”, disse uma ex-colaboradora, que encontrou contratos espalhados em gavetas e ordens de pagamento sem registros.

A reportagem da Piauí expõe como a CBF, apesar de bilionária, se tornou um ambiente propício para interesses políticos e pessoais, com pouca ou nenhuma fiscalização — o que coloca em xeque a credibilidade da instituição que comanda o futebol brasileiro.

Assinantes da revista podem acessar a íntegra da reportagem nestelink.

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