Comprovante de depósito liga Daniel Brandão a assassino de João Bosco no Tech Office
Gilbson César Soares Cutrim recebeu R$ 3 mil da empresa DISVALI, que tinha Daniel Brandão como sócio.

Quem não se lembra da famosa Fiat Elba, o carro que ajudou a derrubar o presidente Fernando Collor de Melo em 1992? À época, investigações mostraram que a compra foi feita com dinheiro de contas fantasmas operadas por PC Farias, o “tesoureiro” da campanha presidencial de 1989. O escândalo resultou na renúncia de Collor no mesmo ano, numa tentativa frustrada de preservar seus direitos políticos.
Coincidência ou não, também em 1992, na Avenida Coronel Brandão, no Centro de Colinas (MA), foi fundada a DISVALI – Construtora e Locadora de Máquinas e Veículos do Vale do Itapecuru Ltda. A empresa tinha como sócios os irmãos Carlos Brandão (atual governador do Maranhão), José Henrique e Marcus Brandão.
Ainda naquele ano, José Henrique foi eleito prefeito de Colinas. Já no início de sua gestão, Lidenor Façanha Júnior, o “Júnior Cabeção”, sacou dois cheques milionários de empreiteiras ligadas a convênios federais para a construção de 30 km de estradas vicinais. O destino do dinheiro é revelador: um dos cheques foi depositado diretamente na conta da DISVALI — empresa da qual o próprio prefeito era sócio —, e o outro, na conta pessoal de Marcus Brandão.
O Tribunal de Contas da União (TCU), em 1996, constatou que apenas 3 km de estrada haviam sido construídos. A fraude levou à condenação da DISVALI à devolução do dinheiro desviado. Já em 2001, ainda durante as investigações, José Henrique transferiu suas cotas da empresa para os filhos menores de idade, entre eles Daniel Brandão, hoje presidente do Tribunal de Contas do Estado do Maranhão (TCE-MA). Daniel só deixou oficialmente a sociedade em 2023, dias depois de assumir o comando da Corte de Contas.
Mas o caso que ressurge agora é ainda mais grave. No dia 12 de maio de 2022, a DISVALI realizou uma transferência de R$ 3.000,00 para a conta de Gilbson César Soares Cutrim, o assassino confesso do empresário João Bosco, executado em 19 de agosto de 2022, em frente ao edifício Tech Office, em São Luís. O pagamento é comprovado por um documento bancário que veio a público. Veja com comprovante abaixo.

À época da transação, Daniel Brandão ainda constava como sócio da empresa. O vazamento do comprovante e de outros registros de pagamentos da DISVALI a pessoas ligadas à família de Gilbson Cutrim reforçam os questionamentos sobre a versão apresentada pelo atual presidente do TCE-MA, que insiste em negar qualquer ligação com os envolvidos no crime.
Com cada novo indício que vem à tona, fica mais difícil sustentar a narrativa de que Daniel Brandão não tinha nenhuma relação com o caso do assassinato de João Bosco e com os desdobramentos desse episódio que choca a classe empresarial e política do Maranhão.
Por Os Analistas



