TV Globo expõe no Fantástico precariedade da educação e sucessivos escândalos de corrupção em Bom Jardim (MA)
Nos últimos 13 anos, prefeitos e secretários foram afastados e presos sob acusações de desvio de recursos da educação no município.

O Maranhão voltou a ser destaque negativo em rede nacional. O programa Fantástico, da TV Globo, exibiu neste domingo (data da exibição), uma reportagem sobre o colapso da educação no município de Bom Jardim, que se tornou símbolo da corrupção e do abandono escolar no estado.
A repórter Regina Souza mostrou a dura realidade dos estudantes da rede municipal, que ainda têm aulas em casas de taipa, igrejas e galpões improvisados, apesar do município ter recebido cerca de R$ 650 milhões do Fundeb nos últimos 13 anos.
Descaso e desperdício de recursos públicos
Segundo a reportagem, escolas precárias continuam funcionando em condições insalubres, enquanto prédios públicos novos ou reformados estão abandonados e se deteriorando. Em muitos casos, as salas de aula dividem espaço com fornos de farinha e altares religiosos.
Com os recursos federais recebidos, seria possível manter uma rede educacional estruturada. No entanto, Bom Jardim segue sem avanços concretos e se tornou referência nacional em má gestão e corrupção na educação pública.
Um histórico de escândalos e condenações
A trajetória política do município é marcada por sucessivos escândalos. Dos cinco últimos prefeitos, quatro foram condenados por corrupção e improbidade administrativa.
O caso mais conhecido é o da ex-prefeita Lidiane Leite, que ficou conhecida como a “prefeita ostentação”. Ela foi presa em 2015 e já acumula dez condenações, somando quase 40 anos de prisão, por desvios de cerca de R$ 15 milhões da educação municipal.
Sua sucessora, Malrinete Gralhada, também foi condenada a 15 anos de prisão por irregularidades em contratos públicos. Outros ex-gestores, como Manoel da Conceição Pereira Filho, o “Sinego” — que governou por apenas 70 dias — e Francisco Alves Araújo, afastado três vezes do cargo, também respondem a processos por apropriação indevida de recursos públicos. Todos recorrem em liberdade.
Atual gestão sob investigação
A atual prefeita, Christianne Varão (PL), reeleita e ex-professora da rede municipal, é alvo de investigações conduzidas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público. A gestora reconhece as deficiências do município e alega que “não é possível resolver todos os problemas em quatro anos”, prometendo construir novas escolas.
Enquanto isso, professores continuam enfrentando falta de estrutura e sobrecarga de trabalho, lecionando para turmas de diferentes idades em um mesmo espaço. Em algumas escolas, banheiros são buracos cercados por palha, e a água consumida pelos alunos vem de poços sem tratamento adequado.
“Cultura de corrupção enraizada”, diz promotor
Para o promotor Fábio Oliveira, responsável por diversas ações judiciais contra ex-prefeitos do município, o caso de Bom Jardim representa “uma cultura de corrupção enraizada”. “Eles esperavam a vez de entrar para se corromper e sugar o dinheiro público”, afirmou o promotor em entrevista à TV Globo.
O Ministério Público e a Polícia Federal seguem acompanhando as investigações e ajuizando ações contra gestores e servidores suspeitos. Ainda assim, a impunidade e a má gestão continuam afetando diretamente a população, especialmente estudantes e professores da rede pública.
Reflexão e responsabilidade
O caso de Bom Jardim evidencia que a corrupção na educação tem impacto direto no futuro das crianças e jovens. Especialistas defendem maior fiscalização social e transparência na aplicação dos recursos do Fundeb, além de punição efetiva aos gestores que desviam verbas públicas.
Cabe também à população — nas urnas — escolher representantes comprometidos com a ética e a responsabilidade pública, para que o município finalmente consiga superar o ciclo de corrupção e abandono que perdura há mais de uma década.



A responsabilidade culposa desse deplorável quadro, todos sabem: a gestão política corrupta dos municípios brasileiros. Ademais, a falta de caráter dos políticos maranhenses, que não se envergonham de pertencer ao ente federativo, cujo índice de pobreza é o mais elevado do país, é uma constatação lastimável. O MA é vítima da péssima qualidade ética e moral de seus políticos, cuja maioria só deseja tirar proveito da coisa pública. Infelizmente, vivemos num país, cujas regras criminais favorecem os infratores, sejam eles de colarinho branco ou não. Enquanto o crime de corrupção política for tratado com amenidade e não com penalidade severa, tipo, cadeia sem direito a regalias, como prisão domiciliar, e banimento da política, continuaremos a presenciar as prefeituras municipais, principalmente as de municípios modestos, serem assaltadas por prefeitos e políticos corruptos.
A raiz desse problema está na fragilidade dos mecanismos de fiscalização. Os Tribunais de Contas, responsáveis por verificar o uso das verbas públicas, atuam de forma tardia – quando o dinheiro já foi gasto e o prejuízo já está consumado. Essa lógica precisa ser urgentemente ser revista. É necessário que a fiscalização ocorra de forma preventiva, antes que os recursos cheguem às mãos dos gestores municipais.