ELEIÇÕES

Derrota de Trump poderá ser remédio para radicalismo de Bolsonaro

Conselheiros do presidente destacam que medidas de aporte financeiro, como auxílio emergencial, não garantiriam reeleição

A confirmação da vitória do democrata Joe Biden à presidência dos Estados Unidos ante o republicano Donald Trump faz o entorno do presidente Jair Bolsonaro analisar eventuais mudanças que podem acontecer na postura do chefe de estado brasileiro mirando a tentativa de reeleição em 2022. Enquanto a contagem dos votos de Biden avançava, interlocutores de Bolsonaro ponderavam no gabinete presidencial que o radicalismo adotado por Trump durante sua gestão pode tê-lo tirado da Casa Branca.

Os aliados de Bolsonaro querem entender se o método de adotar posicionamentos radicais em várias pautas funciona apenas para a primeira eleição, se é suficiente para buscar um novo mandato ou se atrapalha a reeleição. A avaliação de governistas é de que medidas de aporte financeiro aplicado no Brasil, como o auxílio emergencial e as outras medidas econômicas de estímulo durante a pandemia de Covid-19, sozinhas não são suficientes para garantir o segundo mandato. Aliados do presidente lembram que Trump injetou R$ R$ 2 trilhões para aliviar os impactos da crise e perdeu.

Conselheiros do presidente orientam uma nova modelagem para readequar seu discurso. Bolsonaro já vem adotando uma postura mais moderada desde junho, quando decidiu encerrar a prática de dar declarações diárias no cercadinho da imprensa na porta do Palácio da Alvorada. Além disso, aproximou-se do Centrão, bloco informal na Câmara que reúne parlamentares de legendas de centro e centro-direita e é menos conhecido por suas bandeiras e mais pela característica de se aliar a governos diferentes, independentemente da ideologia.

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Além de optar por readequar ainda mais seu discurso, Bolsonaro também poderá rever cargos considerados estratégicos no governo em relação aos Estados Unidos. Alguns defendem que nomes mais ideológicos como os ministros do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, abram espaço para o governo compor com deputados e senadores e aumentar a base de apoio que tem no Congresso. Essa discussão, no entanto, não deve ser feita antes da posse de Joe Biden, em 20 de janeiro de 2021.

Para governistas, apesar da clara preferência de Bolsonaro a Trump, o presidente deverá se adequar às novas políticas implementadas pelo novo governo americano. Para isso, porém, a orientação no momento é esperar a poeira baixar e analisar com cautela quais serão as políticas adotadas pelo chefe de Estado americano.  Há uma preocupação no governo brasileiro de que empresas americanas que têm relações com o Brasil endureçam suas cláusulas em relação às políticas ambientais aqui implantadas.

Na live desta quinta-feira, Bolsonaro já evitou tecer comentários sobre uma eventual derrota de Trump ou vitória de Biden. O presidente se limitou a dizer que espera que Câmara e Senado possam modificar o sistema eleitoral brasileiro, voltando a defender o voto impresso, como já fez várias vezes antes e depois de chegar ao cargo.

Por Naira Trindade (O GLOBO)

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