ARTIGO

Em 12 textos Roberto Kenard define política, justiça e educação no Brasil

O Presidente da República Federativa do Brasil acha que ele é Donald Trump

O Poeta, jornalista, autor de quatro livros (sendo três de poemas e um de crítica literária), Roberto Kenard, escreveu em sua página na rede social Facebook, alguns textos sobre a fragilidade mental e intelectual do presidente da República, Jair Bolsonaro, da política, dos brasileiros e da justiça que não conseguem resolver problemas e colocam a culpa em qualquer um. Abaixo vamos compartilhar alguns dos textos, que mostram a pura realidade do novo Brasil formado por velhas raposas. VEJA ABAIXO OS TEXTOS NA ÍNTEGRA.

Texto I

Bolsonaro, o valentão, se borrou de medo

Aqui morrendo de rir. O valentão achou que o Brasil é os Estados Unidos e ele é Trump. Patético. Tratou o meio ambiente com desprezo e a comunidade internacional com prepotência. Levou um tranco no mundo inteiro. O falastrão pôs o rabo entre as pernas, criou um gabinete de crise, fez pronunciamento em cadeia nacional e finalmente resolveu tomar algumas medidas contra as queimadas. Em suma: acusou o golpe. O “mito” tem pés de barro. Basta enfrentá-lo.

Texto II

Questões ambientais como questões morais

Indico aos amigos e amigas o artigo do escritor e doutor em ciências políticas, o português João Pereira Coutinho, na Folha de S. Paulo. Trata de meio ambiente, pela ótica de um escritor da direita civilizada e inteligente.

A partir das ponderações do filósofo Roger Scruton, em determinado momento, Coutinho nos indaga:
“‘Como vender a ideia de que é preciso pensar nas gerações futuras – uma ideia profundamente conservadora – quando o culto do ego e o desprezo pelo patrimônio dos antepassados se converteu em mandamento quase divino da pós-modernidade?”

E ele arremata: “As questões ambientais começam por ser questões morais ‘antiquadas’. Sem enfrentá-las como tal, por mais graves que sejam, dificilmente serão escutadas”.

Texto II

Boçalidade de Bolsonaro transforma queimadas em crise internacional
O Brasil está em transe. Nem a imaginação criativa de Glauber Rocha chegaria a tanto. E ninguém espere que o presidente trate de apaziguar o país, até porque ele é o centro irradiador do transe.
Enquanto parte do Brasil se consome em chamas, Bolsonaro faz acusações irresponsáveis, nada é feito, porque os órgãos ligados ao meio ambiente foram desmantelados e não há grana (a que havia, da Noruega e Alemanha, o presidente afastou). E as queimadas viraram crise internacional, derretem a imagem do Brasil e ameaçam o agronegócio. Leiam texto completo clicando no link. robertokenard.blogspot.com.

Texto IV

Lei de abuso de autoridade e a falta de senso

Parece que a direita brasileira conta com um número baixíssimo de neurônios. Organiza-se agora contra a lei de abuso de autoridade. Sim, dá vontade de rir, de tão patético.. Então, façamos jornalismo.
Essa turma acredita a sério que a lei é para acabar com a Lava Jato (essa operação ainda vai causar a internação em manicômio de muita gente). Primeiro, em todas as boas democracias isso não leva ninguém a dar chilique. E não era para causar no Brasil, que conta com uma lei contra o abuso de autoridade.É a Lei 4.898, de 9 de dezembro de 1965. Ou seja, não foi criada pela esquerda para proteger bandidos e corruptos. Foi criada em plena ditadura, portanto, pela direita.
Em 12 de novembro de 2009, o deputado Raul Jugmann apresentou o Projeto de Lei, que vem a ser na verdade, uma atualização da Lei de 1965. A não ser que Jugmann seja um vidente e tenha visto em 2009 que em 2014 seria deflagrada a Lava Jato.
Mais: a lei não é exclusiva para juízes e representantes do Ministério Público. Ela serve para todos os três poderes, Executivo, Legislativo e Judiciário. Acontece que juízes se julgam colegas de Deus, consideram-se acima do bem e do mal. Como sempre digo, não são só bandidos e corruptos que têm questões na Justiça, por exemplo. Espero que os tolos que são contra o projeto não caíam nas mãos de um juiz inescrupuloso, porque aí ele descobrirá a importância da lei.

Texto V

A lei de abuso de autoridade e a direita analfabeta

A direita chegou ao poder e vai perdendo a oportunidade de mostrar à sociedade que é pelo menos razoável.. Prova de que se trata de uma direita doidivanas e autoritária.
Vejamos o caso da lei de abuso de autoridade. Primeiro, trata-se de maluquice de analfabeto dizer que ela está sendo criada para acabar com a Lava Jato. Todas as boas democracias contam com uma, inclusive o Brasil, ela apenas estava defasada. E desde quando a Lava Jato está acima das leis e pode inclusive ignorá-las?
Detalhe importante: autoridade não quer dizer juízes e agentes do Ministério Público. A lei serve aos três poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário.
O que os estúpidos desse tipo de direita não percebem é que amanhã podem ser vítimas de maus juízes e de inescrupulosos representantes do Ministério Público. Afinal, não são somente bandidos e corruptos que podem cair nas mãos de tais senhores.

Texto VI

Privatização de 17 empresas é conversa fiada

O ministro Paulo Guedes soltou que o governo irá privatizar 17 empresas, ainda em 2019. Eu também sou contra o estado empresário, mas a declaração do ministro não passa de um factóide para gerar notícia e manchetes na imprensa.
Aposto mil contra um como não privatiza nenhuma das 17 empresas relacionadas neste ano. Não há plano de privatização. Pior: nem estudo de viabilidade econômica.. Sem isso ninguém privatiza absolutamente nada.

Texto VII

A direita bolsonarista é herdeira das velhas oligarquias

Não temos, no Brasil, uma tradição liberal. Tivemos, ao longo da história, homens de formação liberal, no geral, homens cultos, cosmopolitas e civilizados. Ressalte-se, no século XX, a proeminência de um intelectual do porte de José Guilherme Merquior.
De outra parte, temos uma tradição de direita brucutu: inculta, boçal, violenta e apaixonada por ditadura. Ela é o prolongamento direto (eles não têm condições intelectuais para saber disso) das velhas oligarquias do começo do século XX do Brasil profundo. Onde o ordenamento jurídico era ignorado por ser considerado inútil, os direitos mais comezinhos eram desconsiderados e a força gerava o mando. Num tal estamento, a Justiça atendia pelo nome de justiçamento. O “coronel” reunia em si o poder, julgando, sentenciando e fazendo valer, não raro, a pena de morte.
No Brasil atual, o “coronel” Bolsonaro é o mais legítimo herdeiro desse sistema oligárquico, os fanáticos que o seguem são os “afilhados” que todos os dias lhe vêm pedir a bênção sob o alpendre da casa grande.

Texto VIII

O desastre chamado Rio de Janeiro

Gente ignorante do Sul e do Sudeste costuma vomitar preconceitos contra nordestinos. Quando o assunto é política, então, o nordestino é apontado como quem não sabe votar. Aquela coisa, macaco não olha para o próprio rabo. Vejamos o caso do Rio de Janeiro.
Vou ficar só em casos recentes: o que dizer de uma população que elege Garotinho, a mulher de Garotinho, Sérgio Cabral, de novo Sérgio Cabral e Pezão?
Então resolveram mudar. Iriam acertar com aquela bandeira fascistoide de nova política. E escolhem Witzel!! Esse personagem esdrúxulo está realizando um verdadeiro genocídio de pobres. Em sete meses, já são mais de oitocentos mortos, a maioria pobres de ficha limpa. E nenhuma ação na área das milícias, o cancro que inferniza o Estado do Rio.

Texto IX

As falas truculentas de Bolsonaro e os riscos ao agronegócio

“Como exportador que sou, lhe digo: as coisas estão apertando cada vez mais. Há anos o Brasil vinha defendendo preservação com produção, tínhamos avançado bastante, já tínhamos ganhado confiança do mercado, mas com esse discurso (do governo), voltamos à estaca zero. E aqui faço uma analogia: o Brasil tinha subido no muro e passado a perna para descer do outro lado, agora fomos empurrados de volta e para bem longe do muro. Não veja como crítica feroz, mas sim como um alerta”.
Sabem quem falou o que vai acima? Não, não foi um desses comunistas que existem somente na cabeça paranoica de Bolsonaro. Foi o maior exportador do agronegócio brasileiro, Blairo Maggi, por sinal, eleitor de Bolsonaro, em entrevista ao jornal Valor Econômico.
Acontece, meus caros e minhas caras, que há uma onda de extrema-direita no mundo, de profundo e obtuso teor nacionalista, a coisa não atingiu só o Brasil. E isso implica maiores restrições às nossas exportações na área do agronegócio. Os europeus estão atrás de uma desculpa para impor mais restrições. É esse temor que Blairo Maggi expressa na entrevista. Quem acompanha os meios de comunicação dos países europeus sabe do que fala Maggi. Diante das falas truculentas de Bolsonaro e do ministro Ricardo Salles, esses meios de comunicação já começam a pressionar os governos a imporem sanções às nossas exportações.

Texto X

A arte de cultivar incertezas

Prometi que de segunda a sexta-feira só publicaria coisas relativas à literatura. E assim foi feito. Ontem encerrei com uma pequena nota biográfica e um poema de Yehuda Amichai, possivelmente o maior nome da poesia de Israel no século XX. Ao final, lamentei, por causa do espaço inerente ao facebook, não poder ter publicado mais uns quatro ou cinco poemas maravilhosos de Yehuda. Bom, não resisti. Abaixo, mais um poema dele. Um poema irônico com as certezas obtusas que alguns homens teimam em cultivar (um poema atualíssimo, diante do que vivemos hoje). O poema questiona essas certezas como sendo o lugar onde temos razão. Mas ao final do poema observamos uma pequena chama bruxuleante de esperança, carregada pelas “dúvidas e amores”, que “escavam o mundo”, e fazem surgir um sussurro, ainda que precário, “onde houve uma casa/ que foi destruída”. A dúvida e o amor como organizadores da memória e os únicos capazes de escavar o lugar em que temos razão, “pisoteado e duro/ como um pátio”. Bom fim de semana a todos, na companhia luxuosa de Yehuda Amichai.

O lugar em que temos razão

Do lugar em que temos razão
jamais crescerão
flores na primavera.

O lugar em que temos razão
está pisoteado e duro
como um pátio.

Mas dúvidas e amores
escavam o mundo
como uma toupeira, como a lavradura.
E um sussurro será ouvido no lugar
onde houve uma casa
que foi destruída.

Texto XI

Privatização de 17 empresas é conversa fiada

O ministro Paulo Guedes soltou que o governo irá privatizar 17 empresas, ainda em 2019. Eu também sou contra o estado empresário, mas a declaração do ministro não passa de um factóide para gerar notícia e manchetes na imprensa.
Aposto mil contra um como não privatiza nenhuma das 17 empresas relacionadas neste ano. Não há plano de privatização. Pior: nem estudo de viabilidade econômica.. Sem isso ninguém privatiza absolutamente nada.

Texto XII

Deltan usou partido político para mover ação contra Gilmar Mendes

É o fim da picada! Novas mensagens trocadas entre procuradores da Lava Jato, publicadas pela Folha de S. Paulo, mostram o esgoto político em que a operação se transformou .
Na ânsia de perseguir o ministro Gilmar Mendes, do STF, o procurador e coordenador da operação em Curitiba, Deltan Dallagnol, recorreu ao senador Randolfe Rodrigues, do Rede do Amapá, para mover uma ação contra Gilmar Mendes, no STF.
Com isso, Deltan extrapolou todos os limites da legalidade.
Leiam a matéria na Folha ou no UOL.

Por Roberto Kenard

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