JUSTIÇA

Golpista brasileiro é condenado a 4 anos de prisão nos EUA por golpe de US$ 15 milhões

Para o Departamento de Justiça norte-americano, João Djalma Prestes Júnior financiava um estilo de vida luxuoso com o dinheiro ilícito que obtinha de empresas no Brasil

Um brasileiro de 48 anos foi condenado pela Justiça norte-americana nesta segunda-feira, a quatro anos de prisão por aplicar golpes no valor de US$ 15 milhões (R$ 81,2 milhões) em diversas empresas brasileiras.

Por já ser conhecido como estelionatário no Brasil, onde respondeu a processos que tiveram repercussão nacional, João Djalma Prestes Júnior adotou uma identidade falsa, se apresentando como João Pereira, para não despertar desconfiança. A investigação do caso verificou que o esquema foi praticado pelo menos desde junho de 2018, até fevereiro de 2020.

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O golpista também foi sentenciado a pagar a multa no mesmo valor do quanto adquiriu ilegalmente, além de restituir as vítimas. De acordo com o Departamento de Justiça norte-americano, João Djalma usava o dinheiro ilícito para financiar seu estilo de vida luxuoso. Embora não morasse nos Estados Unidos em tempo integral, ele mantinha por lá uma Maserati, automóvel que no Brasil custa aproximadamente R$ 1 milhão.

Reuniões em Manhattan

Consta no processo que o criminoso prometia empréstimos mediante o pagamento de algumas taxas antecipadas a empreendimentos nos Estados Unidos. Na verdade, tais entidades eram empresas de fachada administradas pela própria organização criminosa. Uma delas se passava por uma instituição financeira, enquanto outras aparentavam ser uma companhia de garantia e uma seguradora. A Justiça americana não revelou os nomes das empresas.

Como parte do golpe, João Djalma convidava executivos para reuniões num prédio no centro de Manhattan, em Nova York, onde ele fazia parecer que funcionava o escritório da entidade financeira.

Após receberem as primeiras taxas, a quadrilha indicava algum obstáculo na transferência do empréstimo, explicando que o problema seria solucionado com mais um pagamento. No entanto, as vítimas não receberam as quantias prometidas, tampouco foram ressarcidas. Com isso, João Djalma foi preso em junho de 2020 e se declarou culpado em abril deste ano durante seu julgamento.

Outros dois brasileiros foram acusados de integrar a quadrilha. Eles foram identificados como Rose Martins de Oliveira, de 61 anos, e Alex Pereira de Souto, de 40. Segundo as autoridades norte-americanas, também são investigados o português Hermínio Ribeiro Dias Cruz, 76 anos, e o paraguaio Juan Carlos Villalba, 56. Cada um deles tem uma acusação de fraude eletrônica e uma acusação de conspiração para cometer fraude eletrônica, podendo pegar até 20 anos de prisão. Os quatro estão foragidos.

“Em parte por meio de reuniões cara a cara com as vítimas em um arranha-céu de Manhattan, João Djalma Prestes Junior roubou milhões de dólares de empresas que buscavam empréstimos. Prestes Junior agora vai passar quatro anos na prisão dos EUA por esses crimes. Conforme alegado, Prestes Junior não trabalhava sozinho. Seus quatro supostos co-conspiradores fugitivos neste esquema internacional de pagamento antecipado multimilionário foram agora cobrados”, disse Audrey Strauss, procuradora dos EUA em Manhattan, em um comunicado.

Por O Globo

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