MARANHÃO

Governador do Maranhão ataca Lula ao criticar verba da merenda escolar

Carlos Brandão lança programa com viés eleitoreiro nas escolas estaduais e cobra que o MEC arque integralmente com os custos.

O governador do Maranhão, Carlos Brandão (PSB), voltou a tensionar sua relação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em entrevista concedida nesta segunda-feira (18) à TV Mirante, afiliada da Globo no estado, Brandão criticou o valor do repasse federal destinado ao Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), afirmando que a verba só daria para “meio copo de suco e duas bolachas”.

A fala foi interpretada como um ataque direto ao governo federal e um sinal de afastamento político. Até pouco tempo, Brandão se apresentava como aliado de Lula, mas nos bastidores a avaliação é que ele busca argumentos para romper com o grupo governista e se aproximar da base bolsonarista.

O repasse federal e a contradição

O PNAE é executado nacionalmente e atende estudantes de todas as etapas da educação básica pública. Os repasses são feitos em até dez parcelas anuais, conforme o número de alunos matriculados em cada rede de ensino — estadual e municipal. No Maranhão, grande parte da merenda escolar está sob responsabilidade das prefeituras.

Em 2023, já na gestão de Carlos Brandão, o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) informou que repassou R$ 127,8 milhões ao Maranhão apenas no primeiro semestre, beneficiando mais de 10 mil escolas. O dado contradiz a narrativa de que o valor seria irrisório.

Programa “Educação de Verdade”

Ao mesmo tempo em que criticou Lula, o governador anunciou a criação de um programa estadual de alimentação escolar, batizado de “Educação de Verdade”, com previsão de investimento de R$ 150 milhões. O projeto, que promete oferecer refeições completas nos três turnos, foi apresentado como avanço na segurança alimentar e combate à evasão escolar, mas tem sido visto por opositores como ação com forte viés eleitoral, mirando a disputa de 2026.

Brandão já foi acusado de usar a estrutura do governo em anos anteriores para fins semelhantes, com distribuição de cestas básicas, peixes e frangos em período eleitoral de 2022. Agora, o novo programa é apontado como estratégia para conquistar o apoio do eleitorado jovem, especialmente estudantes a partir de 16 anos.

Crise política e isolamento

As declarações contra Lula ocorrem no momento em que o governador enfrenta desgaste com antigos aliados. Brandão rompeu politicamente com o grupo do ministro do STF Flávio Dino, seu padrinho político, e ensaia afastamento também do PT, partido do vice-governador Felipe Camarão, que até então era apontado como nome natural para a sucessão em 2026.

Nos bastidores, a estratégia do governador é clara: fortalecer a candidatura do sobrinho, Orleans Brandão, mesmo sem experiência administrativa ou trajetória política consolidada. A movimentação, no entanto, tem ampliado a percepção de que o governador adota práticas centralizadoras e coronelistas, isolando antigos parceiros e criando novos atritos.

Com as críticas públicas ao presidente  Lula, Brandão deixa evidente sua tentativa de reposicionamento político e volta imediata a ala radiacal antipetista. O discurso da merenda escolar pode ser apenas o pretexto de uma ruptura maior, que se reflete na disputa pelo comando da sucessão estadual em 2026.

Fonte: Metropoles

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