HOMICÍDIO

Já são 57 mortos em presídio no Pará

Centro de Recuperação de Altamira-PA é uma verdadeira escola do crime

ALTAMIRA (PA) — Subiu para 57 o número de detentos que morreram na rebelião que ocorreu na manhã desta segunda-feira no Centro de Recuperação Regional de Altamira, no Sudoeste do Pará. A Superintendência do Sistema Penitenciário do estado (Susipe) informou que 16 pessoas foram decapitadas.

Do lado de fora do presídio, familiares se aglomeram em busca de informações. Com o telefone nas mãos, a dona de casa Clarissa Silvano aguarda notícias do sobrinho.

— Na esperança que alguém ligue para dizer que ele está vivo. Não saio daqui enquanto não souber dele — disse bastante abalada.

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Cerca de 40 familiares aguardam o mesmo que Clarissa: a lista com os nomes de internos que foram mortos no massacre.

— Só queremos saber se os nossos parentes estão com vida. É desumano não dar notícias e deixar a gente sofrendo aqui fora — desabafou Rosane Cristina, mãe de um detento. — É muito triste não saber a notícia de um filho. Passa um filme de possibilidades em minha cabeça. Não estou preparada para o que possa vir.

Rosana disse que a falta de segurança no presídio era visível e há poucos agentes para o número de presos.

— Era visível que havia pouca segurança aqui. Pouquíssimos agentes para o grande número de presos. O presídio é antigo, sem muita segurança para quem nele está. Facilmente entrava armas.

O confronto teve início após presos do bloco A invadirem o anexo do presídio, onde estavam custodiados membros de um grupo rival. O motim durou cerca de cinco horas. Dois agentes penitenciários foram feitos reféns, mas liberados uma hora depois após uma negociação que envolveu o juizado de Altamira, o Ministério Público e a Polícia Civil.

Relatório aponta falhas no presídio

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) apontou como “péssimas” as condições do Centro de Recuperação de Altamira. O relatório foi divulgado nesta segunda-feira (29), dia em que ocorreu a rebelião.

O documento lista diversos problemas que colocam em risco a segurança dos detentos. Além da superlotação, a CNJ também constatou um número baixo de agentes penitenciários, apenas 33. O relatório aponta ainda que, a unidade possui 343 presos do sexo masculino. O número revela que a unidade abriga mais que o dobro da capacidade projetada, que é para 163 vagas.

Ainda no documento, o CNJ apontou há “necessidade de nova unidade prisional urgente” e solicitou aumento do número de agentes que trabalham para reforçar a segurança.

A Superintendência do Sistema Penitenciário do Pará (Susipe) reconheceu que o prédio é antigo e disse que o presídio foi construído de forma adaptada, utilizando contêineres.

Presídio com inauguração atrasada há 2 anos desafogaria superlotação

Para diminuir a lotação nos presídios do Pará, o governo do estado apostou na construção de uma nova unidade prisional. Chamado de Complexo Penitenciário de Vitória do Xingu, o local está em construção desde 2013 e deveria ter sido inaugurado em 2016, segundo o cronograma inicial de obras. A área possui 9 mil metros quadrados e disponibilizaria mais de 600 vagas.

Em 2017 a obra, de R$ 25 milhões, chegou a ser apontada pelo governo estadual como o “maior projeto em execução no sistema penitenciário”. O complexo traz três repartições, sendo uma ala feminina, masculina e uma para detentos do semiaberto.

Agora, a cúpula do sistema penitenciário do Pará promete a inauguração para o fim deste ano.

Por Luan Santo (O Globo)

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