BABADO DA SEMANA

Orçamento secreto é usado para obra que favorece ministro de Bolsonaro, diz jornal

Rogério Marinho, ministro do Desenvolvimento Regional, teria direcionado R$ 1,4 milhão para construção de um mirante turístico vizinho a um terreno onde ele planeja um condomínio

O ministro do Desenvolvimento Regional (MDR), Rogério Marinho, destinou um repasse de verbas no valor de R$ 1,4 milhão do orçamento secreto para a obra de um mirante turístico vizinho a um terreno onde ele planeja construir um condomínio privado no município de Monte das Gameleiras, no Rio Grande do Norte. A informação foi divulgada pelo jornal “O Estado de S. Paulo”.

Marinho havia negado ser o autor dos pedidos de repasses numa audiência na Comissão de Trabalho, Administração e Serviços Públicos da Câmara, ocorrida no 8 de junho. Porém, documentos de execução orçamentária do Ministério do Turismo, órgão chefiado por Gilson Machado, obtidos pelo “Estadão” por meio da Lei de Acesso, confirmaram que o ministro do MDR é o autor da indicação dos recursos.

Informado dos documentos, o ministro mudou a versão e admitiu ao jornal que acionou o Turismo para o repasse. Porém, ele afirma que fez a solicitação a pedido do deputado federal Beto Rosado (Progressistas-RN). No entanto, no documento relacionado à verba consta somente o nome de Marinho.

O negócio particular de Marinho que será valorizado com a obra pública é em sociedade com Francisco Soares de Lima Júnior, seu assessor no MDR.

A fonte da verba ocorreu por meio da chamada emendas de relator. O esquema revelado pelo “Estadão” mostrou que o governo reservou R$ 3 bilhões do Orçamento de 2020 para deputados e senadores aliados indicarem a destinação de recursos.

O MDR de Rogério Marinho foi a pasta que recebeu a maior fatia das emendas de relator no ano passado — R$ 8 bilhões. Em entrevista ao GLOBO, em maio, ele negou que essa parte do Orçamento da União seja secreta, apesar da falta de transparência nos ministérios. E disse que não via problemas em parlamentares aliados do governo receberem a maior parcela na distribuição de recursos.

Por O Globo

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