Pastor da Assembleia de Deus envia quase R$ 2 milhões em emendas para Carnaval e festa de forró
Pastor Gil é alvo de investigação do TCU após envio de recursos para eventos festivos em municípios ligados ao grupo político de Josimar de Maranhãozinho.

Ultimamente, alguns políticos maranhenses em Brasília parecem mais empenhados em colecionar polêmicas do que representar a população do estado. Desta vez, o nome envolvido é o do deputado federal Pastor Gil, que virou alvo de questionamentos após o envio de emendas parlamentares para bancar Carnaval e festas de forró em municípios do Maranhão.
O caso chamou atenção principalmente pela contradição envolvendo o perfil religioso do parlamentar. Integrante da Assembleia de Deus, igreja historicamente conhecida por posições mais conservadoras em relação a determinados tipos de festas e estilos musicais, Pastor Gil teria destinado quase R$ 2 milhões para eventos festivos ligados justamente a segmentos frequentemente criticados por setores da própria denominação.
Segundo informações divulgadas pelo portal Metrópoles, o Tribunal de Contas da União abriu investigações sobre o uso de emendas parlamentares para contratação de shows e realização de eventos em municípios maranhenses.
Um dos focos da apuração é o município de Zé Doca, administrado desde 2016 por aliados e familiares do deputado federal Josimar de Maranhãozinho.
De acordo com a investigação, Pastor Gil teria enviado cerca de R$ 1,8 milhão em emendas para o Carnaval de 2024 e também para a contratação do cantor Tarcísio do Acordeon durante as comemorações do Dia das Mães no município.
Outra frente investigada envolve a cidade de Centro do Guilherme, também ligada ao grupo político de Josimar de Maranhãozinho. No município, uma emenda de R$ 900 mil destinada por Josimar está sob análise após auditoria apontar pagamentos sem comprovação documental da execução dos serviços, além de falhas em notas fiscais e ausência de atesto formal, mesmo com recursos já liberados.
Em nota, Pastor Gil afirmou que os recursos tinham como objetivo incentivar a cultura e movimentar a economia local, argumentando que a execução e prestação de contas são responsabilidades das prefeituras beneficiadas.
Já os municípios investigados sustentam que os recursos foram aplicados dentro da legalidade e conforme a legislação vigente.
O caso ganha ainda mais repercussão porque tanto Josimar de Maranhãozinho quanto Pastor Gil foram condenados pelo Supremo Tribunal Federal em março deste ano, após denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal. Segundo a acusação, Josimar seria líder de um esquema envolvendo desvios de emendas parlamentares, enquanto Pastor Gil apareceria como integrante do grupo investigado.



