Prefeitura de Timbiras gasta quase R$ 3 milhões com combustível enquanto zona rural segue isolada por falta de ponte
Contrato milionário para abastecimento da frota municipal contrasta com abandono de comunidades como Campestre, que enfrentam dificuldades de acesso no período chuvoso.

Um contrato firmado pela Prefeitura de Timbiras, no interior do Maranhão, chama atenção pelo alto valor destinado à compra de combustíveis em um município que enfrenta sérios problemas de infraestrutura, especialmente na zona rural. A gestão do prefeito Paulo Vinícius Lima da Silva empenhou R$ 2.668.019,00 (Dois milhões, seiscentos e sessenta e oito mil e dezenove reais) para o fornecimento de combustíveis às secretarias municipais, enquanto moradores de comunidades rurais seguem isolados por falta de obras básicas.e
De acordo com documentos oficiais, a empresa Andre M. Vieira, inscrita no CNPJ nº 11.209.924/0001-19, com sede na Rua Eduardo Lindoso, nº 42, Centro de Timbiras, foi contratada para abastecer a frota municipal. O contrato teve início em março de 2025 e tem vigência até 31 de dezembro do mesmo ano, contemplando seis secretarias municipais e o gabinete do prefeito.
O acordo foi assinado pelo empresário André Matos Vieira e pelos secretários Wilson Gonçalves Vieira, Islayane Lima de Araújo, Victor Henrique Matos Vieira, Leônidas Queiróz Frazão Júnior, Aurelice Gomes Fonseca Lima, Raimundo Nonato Sousa da Silva e Carlos André Rodrigues.
Valores e volumes levantam questionamentos
Um dos pontos que mais chamam atenção no contrato é o valor unitário do combustível. No mês de março, período da assinatura, o litro da gasolina e do diesel foi orçado em R$ 6,39, preço idêntico para ambos os produtos, o que desperta questionamentos, considerando as variações de mercado entre os dois combustíveis.
Além do preço, o volume total contratado também levanta dúvidas sobre a real demanda da frota municipal, sobretudo em um município de porte médio e com limitações orçamentárias em áreas essenciais como infraestrutura rural.
Comunidades isoladas na zona rural
Enquanto a prefeitura destina quase R$ 3 milhões para combustíveis, moradores do povoado Campestre, na zona rural de Timbiras, enfrentam dificuldades diárias de deslocamento. A comunidade está praticamente isolada devido à inexistência de uma ponte sobre um rio que dá acesso ao povoado e a localidades vizinhas.
Sem a estrutura, moradores são obrigados a atravessar o rio a pé ou com veículos improvisados. No período chuvoso, a situação se agrava com o aumento do volume da água, tornando o acesso perigoso e, em alguns momentos, impossível. A falta da ponte compromete o transporte escolar, o acesso a serviços de saúde, o escoamento da produção rural e a circulação de moradores.
Prioridades da gestão sob questionamento
Para moradores e lideranças comunitárias, o contraste entre o elevado gasto com combustíveis e a ausência de investimentos em obras estruturantes evidencia um problema de prioridades na gestão municipal. Eles cobram explicações sobre a destinação efetiva dos recursos públicos e a ausência de soluções para problemas históricos da zona rural.
A reportagem do G7 procurou a Prefeitura de Timbiras e o prefeito Paulo Vinícius Lima da Silva para esclarecimentos sobre o contrato, os critérios de definição dos valores e a previsão de construção da ponte no povoado Campestre, mas não obteve resposta até o fechamento desta matéria.
O espaço permanece aberto para manifestação da gestão municipal e dos citados nesta reportagem.



