MARANHÃO

Se Carlos Brandão “Zérenaldear”, pode seguir o mesmo destino do ex-governador da Paraíba, Ricardo Coutinho

O governador do Maranhão tem diante de si dois exemplos de fracasso resultantes da teimosia e da ganância por poder absoluto.

O governador do Maranhão, Carlos Brandão (PSB), caminha para um ponto de inflexão política que poderá definir seu futuro — e, talvez, seu ocaso. Caso decida “Zérenaldear”, ou seja, permanecer no Palácio dos Leões até o fim do mandato, abrindo mão de disputar o Senado em 2026, Brandão corre o risco de repetir o roteiro de Ricardo Coutinho (PSB-PB), ex-governador da Paraíba que terminou isolado, sem mandato e envolvido em escândalos de corrupção.

A semelhança entre os dois não está apenas na filiação partidária ou no estilo centralizador de governar, mas nas consequências de uma permanência prolongada no poder sem um planejamento sucessório claro e estratégico. Em 2018, Coutinho optou por concluir seu mandato como governador, recusando-se a disputar o Senado, apostando que manteria influência suficiente para retornar posteriormente. O resultado foi um mergulho político sem volta.

Logo após deixar o cargo, Coutinho foi alvo da Operação Calvário, chegou a ser preso em 2019 e foi acusado de liderar um esquema de desvio de recursos da saúde e da educação. Embora tenha sido solto, viu suas tentativas de retorno frustradas. Em 2020, tentou ser prefeito de João Pessoa; em 2022, disputou o Senado. Em ambas as ocasiões, teve os votos anulados pela Justiça Eleitoral. Hoje, é uma figura periférica dentro do PSB.

Carlos Brandão, por sua vez, enfrenta um dilema semelhante. Caso não renuncie ao governo até abril de 2026 para disputar o Senado, abrirá mão de uma das poucas janelas viáveis para garantir sobrevida política. Seu mandato termina em 31 de dezembro de 2026, e o tempo para construir capital eleitoral e disputar um novo cargo estará, até lá, praticamente encerrado.

Mais do que isso: a permanência até o fim pode agravar desgastes já visíveis. A impopularidade gerada pelo reajuste do próprio salário, denúncias de nepotismo envolvendo familiares em cargos estratégicos e o distanciamento de aliados — como o vice-governador Felipe Camarão — são sinais de uma administração que começa a perder apoio popular e articulação política.

A insistência em permanecer também dificulta a consolidação de um sucessor viável. Nomes como o do sobrinho Orleans Brandão são aventados, mas a ausência de um gesto de grandeza — como a renúncia planejada para viabilizar uma transição legítima — pode fragmentar a base e deixar o grupo sem liderança real na disputa pelo governo estadual.

Brandão ainda tem tempo para decidir. Mas a história recente de Ricardo Coutinho serve como um espelho perigoso. O ex-governador paraibano acreditou que poderia se manter influente mesmo fora do cargo. Descobriu tarde demais que o poder é líquido — e escorre entre os dedos de quem acredita que mandatos são eternos.

Se Carlos Brandão quiser evitar o mesmo destino, precisará escolher entre o conforto da cadeira e o risco da disputa. A história cobra, cedo ou tarde, a conta.

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