ESPORTES

SEDEL faz gambiarras no Castelão, obtém laudo relâmpago e dobrou capacidade para jogo do Flamengo

Setores interditados desde janeiro foram liberados após intervenções apressadas para a partida entre Flamengo e Botafogo-PB

A Secretaria de Estado do Esporte e Lazer (SEDEL) recorreu ao velho “jeitinho brasileiro” para garantir a realização da partida entre Flamengo e Botafogo-PB, na noite desta quinta-feira (1º), no Estádio Castelão, em São Luís, válida pela terceira fase da Copa do Brasil.

Setores interditados desde janeiro foram rapidamente maquiados, e as famosas gambiarras foram executadas às pressas e um novo laudo de liberação foi emitido após o início da venda de ingressos. Resultado: o Castelão recebeu mais de 35 mil torcedores, mesmo com o ingresso mais barato custando R$ 190.

A capacidade oficial do estádio, até então limitada a 20 mil pessoas, foi elevada para 39.622 em tempo recorde. A mudança repentina levantou suspeitas sobre a legalidade e segurança da liberação, especialmente porque a interdição anterior vigorou durante todo o Campeonato Maranhense, quando o público era consideravelmente menor. A SEDEL, comandada pelo secretário Naldir Lopes, ainda não apresentou explicações convincentes sobre os critérios adotados. Apenas se limitou a uma nota clichê.

O “passe de mágica” ocorreu em função da venda do mando de campo por parte da SAF do Botafogo-PB, que optou por transferir a partida para a capital maranhense. A comercialização dos ingressos começou no dia 23 de abril com o número já ampliado de lugares, antes mesmo da apresentação de qualquer laudo técnico que justificasse a alteração. No dia seguinte, um novo laudo do Corpo de Bombeiros do Maranhão apareceu autorizando a lotação quase duplicada.

Segundo documentos obtidos pela reportagem do UOL e confirmados pelo portal G7, soluções improvisadas e paliativas sustentaram a liberação. O último laudo regular, emitido em dezembro de 2024, autorizava apenas 20 mil pessoas. Subitamente, em 24 de abril, o mesmo Corpo de Bombeiros aprovou o aumento para 39.622 torcedores.

Um laudo técnico particular, contratado pela Secretaria de Estado da Infraestrutura por R$ 9 mil e entregue dias antes da partida, alertou para graves problemas estruturais — especialmente no setor 1 — como colapso parcial de vigas, corrosão avançada e infiltrações nas fundações. Mesmo assim, o documento sugeria que, com intervenções emergenciais, o setor poderia ser liberado. As obras relâmpago foram iniciadas no dia 25 de abril, com previsão de conclusão às vésperas da partida.

Com base nesse parecer privado, os Bombeiros emitiram novo laudo no dia 30 de abril, garantindo a liberação do estádio. O documento alegava que “ações corretivas e preventivas” teriam sido implementadas e que a capacidade máxima projetada poderia ser atingida “sem comprometer a segurança”.

Contudo, um documento da CBF questiona abertamente a súbita mudança. A entidade fala em “estranheza”, “quadro de incertezas” e manifesta preocupação com a segurança de atletas, torcedores e profissionais envolvidos. A CBF destacou que a alteração da capacidade, feita em menos de 24 horas, compromete o planejamento logístico e levanta dúvidas sobre a confiabilidade das informações emitidas pelos órgãos estaduais.

O ofício é assinado pelo diretor de competições da CBF, Júlio Avellar, e pelo diretor jurídico, André Mattos, e é endereçado ao comandante-geral do Corpo de Bombeiros do Maranhão, coronel Célio Roberto Pinto de Araújo.

A origem da iniciativa de levar o jogo para São Luís permaneceu cercada de mistério. A SAF do Botafogo-PB foi citada como responsável pela venda de ingressos, mas outros envolvidos na negociação — como empresários e organizadores — não aparecem nos documentos oficiais.

O que dizem os envolvidos

A reportagem do UOL procurou todos os citados: Federação Maranhense de Futebol, SAF Botafogo-PB (via CEO Alexandre Gallo), Flamengo, superintendência do Castelão e o governo do Maranhão. O silêncio foi a grande resposta, apenas a SEDEL tentou se justificar.

Em nota, a SEDEL afirmou que todas as exigências legais e normativas foram cumpridas, e que os laudos foram atualizados após intervenções realizadas entre 2024 e 2025, ampliando a capacidade do estádio de 20 mil para 39.622 pessoas. “Todas as medidas e adequações foram implementadas conforme os parâmetros estabelecidos pelos órgãos competentes, com o objetivo de garantir a segurança e o bem-estar de todos os usuários”, concluiu a nota.

Para agradar empresários organizadores do evento, o Governo Do Maranhão, por meio da SEDEl pode ter colocado em risco vida de milhares de pessoas no Castelão em São Luís. Cabe ao Ministério Público do Maranhão se manifestar, assim como o Procon-MA, já todo mundo está emm silêncio sobre esse fato.

Por UOL

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