POLÍTICA

Treta na família Brandão: irmãos divergem nos últimos meses de governo

Para piorar a situção, Audreia Noleto e Larissa Brandão não tomam café na mesma xícara há anos.

O clima dentro da família Brandão já não é mais de consenso. Não há um racha declarado, mas as divergências sobre o caminho das eleições ficaram evidentes. Marcos Brandão segue insistindo na candidatura do filho, Orleans, enquanto Carlos Brandão demonstra mais cautela e sabe que precisa apresentar ao presidente Lula um cenário viável, capaz de manter a base política unida.

À frente do governo e com maior experiência política, Carlos Brandão tem consciência de que a estratégia defendida por Marcos enfrenta resistência tanto em Brasília quanto no Maranhão. Insistir hoje na candidatura de Orleans cria dificuldades dentro do próprio grupo e também fora do estado, ampliando tensões e incertezas num momento decisivo.

Nesse contexto, Zé Henrique Brandão defende uma linha mais pragmática. Para ele, Carlos Brandão deveria seguir as orientações do presidente Lula, trabalhar pela pacificação interna do grupo e focar na construção de um projeto que fortaleça a base do governo federal no Maranhão. A prioridade, nessa leitura, seria garantir a eleição de dois senadores aliados e do próximo governador, consolidando um cenário político estável e favorável ao Planalto no estado.

Por isso, o governador passou a agir com mais cuidado, avaliando os impactos políticos e ouvindo quem defende menos improviso e mais realismo. É nesse ambiente que Zé Henrique atua nos bastidores, orientando pela unidade e pela cautela, buscando evitar um desgaste maior do grupo neste fim de governo.

Esse desconforto já chegou ao debate público. O vice-líder do governo Lula, deputado Rubens Júnior, afirmou que Carlos Brandão deveria ouvir mais o irmão Zé Henrique, deixando claro que parte da classe política enxerga exagero na pressão feita por Marcos e vê em Zé Henrique uma leitura mais equilibrada do cenário.

Depois da conversa entre Lula e Brandão, em novembro, os sinais ficaram ainda mais evidentes. A movimentação em torno de Orleans perdeu força, o entusiasmo diminuiu e muitas lideranças passaram a adotar postura de espera.

Ao mesmo tempo, Felipe Camarão aparece como alternativa com apoio do PT nacional e do próprio Lula. Nesse cenário, pesquisas como a da Econométrica foram interpretadas no meio político como tentativas desesperadas de forçar um cenário que não existe, revelando mais insegurança do que força real dentro do grupo Brandão.

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