Turilândia-MA: delação expõe crise e governo Brandão enfrenta dificuldade para definir interventor
A decretação da intervenção em Turilândia não encerrou a crise. Pelo contrário, abriu um novo e sensível problema: a dificuldade do governo estadual em encontrar quem aceite assumir a função de interventor.

Nos bastidores do poder, o clima é de apreensão. A Polícia Federal esteve recentemente no município de Colinas e, segundo informações que circulam entre interlocutores políticos, uma delação em andamento pode ligar os esquemas investigados em Turilândia a contratos firmados em dezenas de prefeituras maranhenses. O suposto elo passaria por operadores do esquema, sócios já presos e suspeitas de repartição de lucros que alcançariam pessoas próximas ao núcleo do poder estadual.
É nesse contexto que se explica a pressa do governo em tentar definir um interventor para o município. A movimentação, segundo avaliações internas, não estaria motivada apenas por uma resposta administrativa à crise em Turilândia, mas também pela tentativa de conter danos políticos e institucionais decorrentes do avanço das investigações.
O Palácio dos Leões buscava um nome que pudesse ser apresentado como técnico, mas que, ao mesmo tempo, oferecesse segurança política absoluta. Nesse cenário, surgiu a indicação de Raul Mochel, auditor do Tribunal de Contas do Estado (TCE), atualmente secretário de Transparência e Controle. Mochel é cunhado do presidente do próprio TCE e sobrinho do governador, fator que reforçou as críticas nos bastidores sobre a escolha.
O plano, no entanto, não avançou. Segundo relatos, o nome indicado teria resistido à indicação e não aceitou assumir a função de interventor.
Desde então, o impasse persiste. A intervenção foi oficialmente decretada, mas o governo segue sem conseguir definir quem irá executá-la. A demora expõe fragilidades e amplia a percepção de que a crise de Turilândia vai além dos limites do município.
Com a intervenção decretada e sem interventor nomeado, cresce a avaliação de que a principal preocupação do governo não é a reorganização administrativa local, mas os possíveis efeitos colaterais das investigações em curso — efeitos que podem alcançar muito além de Turilândia.



