CULTURA

A reinvenção do boi de cofo

Por Luiz Fernando Linhares

O boi de cofo é um recurso que as crianças da minha infância lançavam mão, em Rosário, para fazer uma brincadeira de bumba-meu-boi. O cofo era o boi, os maracás feitos de latas de azeite cheias de pedrinhas ou grãos de milho, o zabumba podia ser uma lata velha, ou aquele balde velho que se tinha em casa.
O boi de cofo tinha um amo, um miolo e demais brincantes, mas a indumentária era o que se tivesse à mão. Tudo improviso, tudo brincadeira. Sem compromisso qualquer com a beleza do tradicional bumba-meu-boi.
É preciso também esclarecer que o boi de cofo é muito mais antigo que a minha geração. Só para ilustrar, o bumba-meu-boi da Pindoba, no município de Paço do Lumiar, tem mais de um século e teve como embrião um boi de cofo.
Mas agora vem aí algo diferente, um boi de cofo que se apresentará no pós-carnaval de Rosário, ou seja, o boi de cofo ressurge na quarta-feira de cinzas.
Como todos nós sabemos, foi em Rosário que nasceu o boi de orquestra e, agora é lá que o boi de cofo se reinventa. Não para animar os festejos juninos, mas para alongar a temporada momesca.
O boi de cofo de Rosário se reinventa a partir de um grupo de rosarienses. Foi idealizado por Alan Jorge Coelho de Carvalho, Marcone Aquino (Bimba), Nato de Luba, Riba do Bar do Meio. Na reta guarda artística estão: Gérson Linhares, Luís de Caboclo, Moura de Pililica, Magno Aragão, Kézede Rocha e muitos outros artistas rosarienses.
Em Rosário, não é novidade a apresentação de boi no carnaval. Nos anos 1960, em Rosário, tinha um boizinho que só se apresentava no carnaval. Era o boi “MIM”. Sim, Mim era o nome do boizinho que era colocado na rua por um grupo de rosarienses sob a liderança de Cesário Rezzo, Joaquim Coelho, Felinto, Zé Miranda e outras figuras da época. Por coincidência, Cesário Rezzo era tio avó de Bimba e do Alan.
Boi de cofo reinventado é mais que uma brincadeira, é um evento que contará com boieiros de várias cidades maranhenses, com amos de bumba-meu-boi de orquestra da região do Munim, Rosário e outras partes do Estado do Maranhão.
É sensato ressaltar que o boi de cofo não tem sotaque peculiar, sempre segue o sotaque dominante da região onde ele nasce. O boi de cofo de Rosário seguirá o sotaque de orquestra e embalado pelos metais, madeiras, cordas e percussões de músicos rosarienses e de municípios vizinhos.
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