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Após “sugar” a última gota de sangue do Procon-MA, Duarte Júnior entrega comando do órgão ao governador Carlos Brandão

Saída de Karen Barros encerra ciclo marcado pela forte influência política de Duarte Júnior no órgão de defesa do consumidor.

Após anos de forte influência política sobre o Procon-MA, o deputado federal Duarte Júnior deixa de ter sua esposa, a advogada Karen Barros, à frente da presidência do órgão. Neste sábado (1º), Karen anunciou sua saída do cargo e afirmou que a decisão foi motivada pelo impacto das disputas políticas sobre sua família.

A saída encerra um ciclo iniciado em 2019, quando Duarte Júnior assumiu a presidência do Procon-MA no governo Flávio Dino. Desde então, sua permanência no comando do órgão foi frequentemente associada à trajetória política que construiu parte significativa de sua carreira pública em torno da defesa do consumidor.

Duarte Júnior ganhou projeção política inicialmente à frente do Procon-MA e, posteriormente, disputou eleições para diferentes cargos. Em 2018, foi eleito deputado estadual; em 2020, concorreu à Prefeitura de São Luís; em 2022, foi eleito deputado federal; e, em 2024, voltou a disputar a Prefeitura da capital maranhense.

Karen Barros, por sua vez, sempre sustentou que sua chegada ao comando do Procon ocorreu por mérito profissional, e não por indicação política, mesmo sendo indicada pelo marido Duarte Júnior. Em seu anúncio de saída, afirmou que deixa o cargo sem responder a investigações e “sem qualquer mancha” em sua trajetória profissional.

“Tudo que aconteceu nos últimos tempos ultrapassou a política. A perseguição e o desrespeito atingiram quem eu mais amo. O preço disso tudo é muito alto”, declarou.

Durante sua gestão, o número de unidades do Viva/Procon teria saltado de 50, presentes em 34 municípios, para 134 unidades distribuídas por 124 cidades. Karen também chegou à presidência da ProconsBrasil, entidade que reúne órgãos de defesa do consumidor de todo o país.

“Saio do Procon, mas não abro mão dos meus valores”, afirmou ao concluir o anúncio.

Procon de Estado ou Procon de governo?

É justamente nesse ponto que cabe uma discussão mais ampla. Na avaliação do G7MA, o Procon-MA precisa funcionar como órgão de Estado, e não como instrumento político de governo ou de grupo político. A defesa do consumidor não pode depender das conveniências ou alianças de quem ocupa temporariamente o poder.

Ao longo dos últimos anos, enquanto o Procon ganhou visibilidade e ampliou sua presença física no Maranhão, também surgiram questionamentos sobre a atuação do órgão diante de problemas que atingem diretamente milhares de consumidores.

Um exemplo frequentemente lembrado é a crise do transporte por ferryboat entre São Luís e a Baixada Maranhense. Diante de filas, problemas operacionais, atrasos e reclamações recorrentes dos usuários, a atuação do órgão de defesa do consumidor poderia ter sido mais incisiva e permanente. Mas optou por silenciar.

Outro ponto que merece atenção são os sucessivos reajustes nos preços dos combustíveis no Maranhão. O tema já foi alvo de anúncios e promessas de fiscalização, mas a população continua esperando respostas mais efetivas e transparentes sobre eventuais abusos.

É claro que nem todo problema de serviço público ou de mercado está necessariamente dentro da competência exclusiva do Procon. Entretanto, quando o consumidor é diretamente afetado, espera-se do órgão uma atuação firme, técnica e transparente, inclusive na cobrança dos responsáveis.

E agora, quem comandará o Procon-MA?

Com a saída de Karen Barros, caberá ao governador Carlos Brandão escolher o próximo presidente do Procon-MA. A expectativa é que a nova gestão consiga estabelecer uma relação institucional com todos os setores da sociedade e, principalmente, tenha independência suficiente para fiscalizar empresas, concessionárias e até mesmo o próprio poder público quando os direitos do consumidor forem desrespeitados.

O Procon não pode ter dono político. O órgão pertence ao cidadão maranhense.

Por isso, mais importante do que saber quem será o próximo presidente é saber qual será o modelo de Procon que o Maranhão terá daqui para frente: um órgão utilizado para fortalecer projetos políticos ou uma instituição verdadeiramente independente, técnica e atuante na defesa de quem paga a conta?

Essa é a pergunta que fica.

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