POLÍCIA

Caso João Bosco: Polícia deve ouvir vereador Beto Castro e o dono da empresa Santa Helena Vigilância

Segundo informações, após ouvir novamente Beto Castro, servidor da Seduc responsável pelo pagamento da nota também deverá ser chamado

O caso João Bosco, empresário morto em São Luís, no último dia 19 de agosto no bairro Ponta do Farol, por suposta cobrança de propina e ameaça, pode desencadear em um inquérito longo, já que envolve o acusado do assassinato, o vereador Beto Castro e mais um possível servidor da Secretaria de Estado da Educação (Seduc).

Segundo informações repassadas ao G7, o delegado responsável pela investigação, Murilo Tavares, lotado na Superintendência de Homicídios e Proteção à Pessoa (SHPP), deverá ouvir o vereador Beto Castro novamente, o dono da empresa S.H Vigilância e Vigilância, Erivaldo Amaral Souza, para então ouvir o possível funcionário da Secretaria de Estado da Educação (Seduc), que teria autorizado o pagamento no valor de mais R$778 mil reais envolvido na morte de João Bosco. As investigações devem continuar e a cada depoimento, o delegado irá montando o quebra cabeça da investigação.

ENTENDA O CASO

O empresário João Bosco Pereira Oliveira Sobrinho, de 46 anos, que trabalhava no ramo alimentício, foi morto a tiros, na tarde do último dia 19 de agosto, por volta das 14h30, na porta de entrada do edifício Tech Office, na Avenida dos Holandeses, na Ponta D´Areia, em São Luís. Ele foi atingido por três tiros na cabeça e tórax por um homem identificado por Gilbson César Soares Cutrim, que se entregou à polícia e está preso em Pedrinhas. Bosco estava na companhia do vereador Beto Castro, citado no depoimento do acusado.

VEJA O DEPOIMENTO DO ACUSADO ABAIXO

Preso na última segunda-feira, dia 29 de agosto, Gilbson César Soares Cutrim, acusado de matar o empresário João Bosco, no último dia 19 de agosto, no edifício Tech Office, no bairro da Ponta d’Areia, prestou depoimento e disse que o vereador Beto Castro estaria exigindo 50% de um pagamento de R$ 788 mil da Secretaria de Educação do Estado (Seduc), o que acabou desencadeando o homicídio, segundo o acusado.

Em seu depoimento, Gilbson Júnior disse que há cerca de um mês e meio um advogado chamado Jean, seu conhecido, pediu-lhe uma ajuda na liberação de um valor que a Secretaria de Educação devia à empresa de segurança S. H. VIGILÂNCIA E SEGURANÇA EIRELI. Que Jean disse que lhe daria 30%. Afirmou Gilbson que informou ao advogado que teria que envolver mais uma pessoa nesta negociação, que seria o vereador Beto Castro, pois este, com sua influência, poderia ajudar na liberação do valor.

Com a concordância de Jean, o acusado disse que acionou Beto Castro afirmando que daria a ele 20%. caso conseguisse a liberação do dinheiro junto à Seduc: no total, R$ 778.000,00.

Acrescentou que Castro aceitou a proposta e começou a agir para a liberação desse valor. No dia 17 de agosto, segundo o acusado, o vereador falou que queria receber era 50% do valor, exigindo o dinheiro de qualquer maneira. O autor do crime disse que não tinha como o advogado aumentar o valor. Conforme ainda o acusado, a cada meia hora Beto Castro ligava e sempre com a mesma conversa, exigindo do interrogado os 50%.

Numa das vezes, o vereador passou o telefone para o cobrador, que ele sabia tratar-se de Bosco, o qual não conhecia pessoalmente, mas já tinha noção de quem se tratava, pois ele era conhecido cobrador aqui da cidade e tinha fama de sequestrador e matador de gente, e que ele era cobrador pessoal de Beto Castro, inclusive, tendo recebido uma comenda na Câmara Municipal de São Luís.

No dia seguinte, 19, por volta das 08h, o interrogado ligou seu telefone, quando já viu várias ligações de Beto, que ligou novamente, tendo Gilbson atendido. Na conversa, ele disse que era para resolver, e, em seguida, passou o telefone para Bosco, que, de início, perguntou onde o interrogado estava, pois queria se encontrar naquela mesma hora para resolver imediatamente.

Acrescentou que Bosco lhe disse, também, que sabia tudo de sua vida, que ele tem dois filhos, sabia do seu endereço, sabia onde os filhos do interrogado estudavam, ameaçando em seguida sequestrar seu filho mais novo, de nome Luan, de 9 anos de idade, caso o interrogado não pagasse.

Diante das ameaças, principalmente contra seus filhos, o acusado disse que ficou desesperado, pegou uma arma guardada em sua casa e saiu, levando uma pistola 840, calibre .40, marca Taurus. Enquanto isso, segundo ainda o acusado, Beto Castro ficou ligando para um irmão do acusado e também para o seu pai, com o qual discutiu. Foi então marcada uma reunião no Tech Office. Ali, encontrou Beto Castro e Bosco em uma mesa do Tapioca da Ilha.

Depois de uma rápida conversa, Gilbson (Júnior) disse que decidiu ir embora. Levantou para retornar ao seu carro, que estava estacionado na Fribal. Disse que enquanto caminhava, Beto Castro e Bosco lhe acompanhavam e tentavam convencê-lo a ir até o carro do vereador. Disse que não quis ir para o carro de Beto e que sua vontade era de ir embora. Mas, segundo ele, Bosco e Beto Castro não deixavam o depoente ir.

No caminho, conforme o depoente, Beto falou: “Resolve isso hoje, Esse cara (referindo-se a Bosco) vai fazer tudo que ele disse”. Bosco então completou: “Rapaz, deixa de mão deixa comigo, vou agarrar o filho dele hoje mesmo”. Júnior disse que nessa hora ficou transtornado, imaginando Bosco agarrando seu filho e acabou tirando a pistola da sua bolsa e atirando por três vezes em Bosco. Em seguida, foi na direção do seu carro e fugiu, jogando a pistola de cima da ponte do Jaracati, tendo a arma caído no mar.

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