BABADO DA SEMANA

Certidão de óbito da mãe de Luciano Hang não mostra Covid, mostram documentos

Prontuário do médico Anthony Wong enviado à CPI da Covid mostra complicações devido ao coronavírus

Documentos enviados à CPI da Covid mostram que o médico Anthony Wong, conhecido por defender o “tratamento precoce”, ineficaz contra a Covid-19, foi submetido às mesmas drogas cujo uso defendia em um hospital da Prevent Senior. O fato de ter morrido por complicações devido ao coronavírus foi omitido de sua certidão de óbito. O mesmo ocorreu com a mãe do empresário Luciano Hang.

O Ministério da Saúde determinou, desde o início da pandemia, que as certidões de óbito por Covid incluam o vírus como causa da morte. Eventuais complicações derivadas da infecção podem ser citadas também, mas a Covid não pode ser omitida.

O caso foi antecipado pela revista “Piauí”. Procurada, a Prevent Senior diz em nota que, “por limitações éticas e legais”, “não pode fornecer ou confirmar informações de pacientes”. “Apesar disso, afirma que não houve fraudes ou omissões nos atestados de óbito”, afirma a empresa.

Em nota à imprensa, Luciano Hang afirmou que a mãe já era portadora de uma série de comorbidades como problemas cardíacos, diabetes, insuficiência renal e sobrepeso e, por isso, não teria feito o “tratamento preventivo”. O empresário também lamentou que “um assunto tão delicado seja usado como artifício político” por ele não concordar com as ideias de parte dos membros da CPI da Covid.

“Lutamos com ela por mais de um mês, nesse tempo o Covid passou, mas ficaram as complicações por conta das comorbidades e, por isso, infelizmente ela se foi. Tenho total confiança nos procedimentos adotados pelo Prevent Senior e que tudo que era possível foi feito. Deixei claro a causa do falecimento de minha mãe em várias manifestações públicas e nas redes sociais, nunca foi segredo”, afirmou.

Anthony Wong foi internado no Sancta Maggiore, da rede Prevent Senior, em 17 de novembro de 2020. No mesmo dia, assinou um termo autorizando o uso de hidroxicloroquina, comprovadamente ineficaz contra a Covid-19, e também a ozonioterapia, proibida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM).

Em alguns trechos do prontuário de Wong, a que o GLOBO teve acesso, é citada a prescrição de medicamentos sob orientação de Nise Yamaguchi. A médica foi uma das maiores defensoras do uso de cloroquina e outras drogas ineficazes contra a Covid-19 e é investigada pela CPI da Covid sob a suspeita de integrar um “gabinete paralelo” de assessoramento do Palácio do Planalto.

Em agosto do ano passado, Mauro Luiz de Britto Ribeiro, presidente do CFM, afirmou que o uso da ozonioterapia coloca em risco a saúde dos pacientes e não há evidência científica que tenha eficácia contra alguma doença. Ele alertou que médicos que usassem o tratamento poderiam ser punidos.

O receituário do dia da internação mostra que Wong tomou hidroxicloroquina e azitromicina, o chamado “kit Covid”, desde o primeiro momento em que foi internado. Naquele momento, foi constatado que ele estava com febre, tosse e cansaço.

Por O Globo

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