CRÔNICAS

Crônica: Idade Média?

Crônica escrita pelo jornalista Tarcísio Brandão

Passei quatro meses  sem sair de casa, sem assistir televisão, rádio e não paguei a internet. Meu cabelo e minha barba cresceram tanto que consigo fazer uma trança unindo os dois. Bom se fosse só o cabelo, porque não sei mais a diferença entre barriga e peito, não vejo mais meus pés.

Depois de todos esses dias, resolvi acabar com o isolamento e voltar para sociedade. Na minha cabeça, todo mundo tinha se confinado quatro meses, era uma espécie de Big Brother, A Fazenda ou Casa dos Artistas. Mas com todo mundo nas suas casas, sem sair, sem incomodar os outros.

Sai de casa, liguei a TV, comecei ouvir o rádio e paguei meu pacote de 50MB de internet e voltei a ver o que estava acontecendo no mundo.

Dizem que a primeira impressão é a que fica e logo me perguntei por que diabos eu parei o isolamento? Ah lembrei… foi pelo fato do ser humano não conseguir viver sem a sociedade.

Logo depois essa reposta bem pensada cheguei a conclusão que viajei no tempo, o que é precisamente possível, segundo os caras da ciência. Mas não se pode voltar ao passado e eu me vi no passado…

O mundo estava envolvido numa peste, que mata e se alastra como a peste bubônica. O líder maior do meu país se vestiu de um rei da França e soltou a pérola “no tocante a isso daí, EU SOU A CONSTITUIÇÃO”.

Pois pronto, após ouvir isso, descobri em que lugar do tempo estava. Era a Idade Média com internet, redes sociais e veículos  de comunicação de massa.

A Idade Média dos costumes! Pessoas que pregam o amor são capazes de matar as outras só pelo fato de discordar e acreditar em outras coisas. Me deparei com se “seres melhores” do que outros se achando a realeza pisando plebe.

As brigas entre deuses para mostrar que era o deus dos deus também estavam acontecendo. Frases como “vais sentir a ira de deus”, “meu deus vai reinar sobre todos, “vamos matar em nome de Cristo” voltaram a ser entoadas.

Olhando os acontecimentos, vi pessoas falando de amor, mas concordando com a pena de morte. Pessoas que falam de acolher, mas ao mesmo tempo separam.

Esses sentimentos misturados são regidos pelo líder maior que se diz ser honesto, mas divide os salários de seus subordinados para a metade voltar para eles. Um líder que ama a família, mas se a tortura é um fetiche.

Algumas pessoas de peles claras pisam no peito das de pele escura e tudo fica por isso mesmo. A peste já matou mais de 100 mil no território onde moro e o líder não está nem aí.

Mas o pior é de tudo são as diferenças sociais. No começo falaram que o isolamento iria mudar o a humanidade para melhor. Não consegui ver isso agora que sai de casa. Pelo contrário, o amor esfriou e até quem deveria amar o não ama mais.

Já dizia uma sábio cantor, “mas a história sempre se repete”.

Será que estamos fadados a remoer os costumes antigos até a gente se matar?

É muito para mim, antes que seja “assassinado”, vou voltar para para meu isolamento, porque o seguro morreu de velho.

Por Tarcísio Brandão

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