BABADO DA SEMANA

De olho em 2020, PSL está rachado

Pensando nas disputas para prefeituras de Rio e SP, o partido do presidente Bolsonaro está a caminho do fim

A disputa pela vaga de candidato do PSL aprefeito nas duas maiores capitais do país — São Paulo e Rio de Janeiro —, nas eleições de 2020, já escancara rachas no partido de Jair Bolsonaro.

No Rio de Janeiro, a legenda está dividida entre os que defendem a candidatura do deputado estadual Rodrigo Amorim e os que preferem o deputado federal Hélio Lopes — conhecido como Hélio Bolsonaro, chancelado pelo próprio presidente, de quem é amigo e confidente.

Já em São Paulo, a principal postulante ao cargo é a deputada federal Joice Hasselmann, que enfrenta resistência na executiva estadual.

No sábado, Bolsonaro afirmou, em almoço com jornalistas, que todos os candidatos do PSL terão que passar pelo seu crivo e defendeu lançar candidaturas próprias em, no máximo, dez capitais.

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O racha no PSL do Rio foi uma das primeiras crises do partido, com a demissão de Gustavo Bebbiano da Secretaria-Geral da Presidência. Braço direito de Bolsonaro, já era tido como candidato natural do partido no Rio. Mesmo sem o apoio, Bebianno diz a interlocutores que segue no páreo.

O senador Flavio Bolsonaro, agora comandante do PSL no Rio, prefere a candidatura de Rodrigo Amorim, que também é ligado ao governador Wilson Witzel (PSC) e se aproximou do prefeito do Rio, Marcelo Crivella (PRB). Witzel, no entanto, tem feito críticas ao presidente Jair Bolsonaro.

Crise no PSL paulista

No último dia 17, Joice Hasselmann abriu a campanha dentro do PSL paulista ao transformar um evento de filiação à legenda em Barueri em uma espécie de ato de pré-lançamento de sua candidatura à prefeitura.

O movimento irritou outros pretendentes ao cargo. A primeira manifestação de repúdio partiu do deputado estadual Gil Diniz — conhecido como “Carteiro Reaça”—, vice-presidente estadual do partido, que também tem planos de disputar a prefeitura da capital.

“A executiva do PSL do estado de São Paulo informa que o partido não definiu nenhuma candidatura ao cargo de prefeito ou vereador de nenhum município e, no caso de escolha de prefeitos, promoverá assembleias para todos os municípios onde mais de um candidato do partido se apresentar para o pleito”, escreveu numa rede social.

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Na reação à nota, a deputada partiu para o ataque.

— O carteiro não é muito bom na equação política. Se fosse, eu diria que ele está decidido a deixar a prefeitura para outro partido. Mas no final, acho que é só amadorismo mesmo. A maioria do partido não dará ouvidos a inexperiência e insensatez. O choro é livre — afirmou Joice.

Chefe de gabinete do deputado estadual Douglas Garcia e líder do Movimento Conservador, Edson Salomão é outro interessado na vaga de candidato do PSL em São Paulo que ataca Joice Hasselmann.

— Ela está empurrando a candidatura goela abaixo do partido — declarou.

Joice também enfrenta resistência de Carla Zambelli, sua colega na Câmara Federal, que na semana passada a criticou no Twitter por ter passado o fim de semana no Espírito Santo, onde também estava o governador João Dória (PSDB).

Outro nome que chegou a ser cogitado para disputar a prefeitura de São Paulo pelo PSL foi o do apresentador José Luiz Datena, o preferido do deputado Eduardo Bolsonaro. No entanto, a possível ida do filho do presidente para a embaixada brasileira nos Estados Unidos dificultaria essa articulação.

Na tentativa de se viabilizar como candidata, Joice tem contado com um aliado improvável, o senador Major Olímpio, com quem costumava trocar farpas até pouco meses. No entanto, Olímpio está articulando sua saída do PSL. Outro aliado de Joice foi expulso da legenda: o deputado federal Alexandre Frota, que rumou para o PSDB.

O cabo de guerra no PSL não se resume à capital. Na cidade de Santos, quem saiu na frente por uma indicação à prefeitura foi Júnior Bozzella. Mas ele já enfrenta a concorrência do juiz aposentado Ivan Sartori, que, mesmo filiado ao PSD, é casado com a presidente da executiva municipal do PSL, Cláudia Sartori.

Em Campinas, a deputada estadual Valéria Bolsonaro, parente distante do presidente da República, deve enfrentar a resistência de Eduardo Bolsonaro, que tem demonstrado interesse em apoiar um candidato de outra legenda, o vereador Tenente Santini (PSD).

O PSL do Rio Grande do Sul também deve acompanhar uma batalha entre os deputados federais Bibo Nunes e Nereu Crispim, que pretendem disputar a prefeitura de Porto Alegre.

Por Maiá Menezes e Guilherme Caetano (O Globo)

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