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Ex-prefeito Braide diz ter deixado R$ 2 bilhões em caixa, mas gestão Esmênia Miranda articula com vereadores empréstimo bilionário

Nos bastidores, a prefeita Esmênia Miranda teria relatado dificuldades financeiras, com dívidas herdadas da administração anterior e obras iniciadas sem a correspondente previsão de recursos em caixa.

O discurso do ex-prefeito Eduardo Braide de que teria deixado mais de R$ 2 bilhões nos cofres da Prefeitura de São Luís começa a ser questionado diante de informações que circulam nos bastidores do Palácio La Ravardière. Segundo relatos, a prefeita Esmênia Miranda, que está há pouco mais de dois meses à frente da administração municipal, teria iniciado articulações junto à Câmara Municipal para viabilizar a contratação de um empréstimo bilionário.

A movimentação ocorre em meio a relatos de dificuldades financeiras enfrentadas pela nova gestão. Nos bastidores, comenta-se que a prefeitura teria herdado uma série de compromissos pendentes, incluindo débitos com fornecedores, prestadores de serviços, agentes culturais e empresas responsáveis por obras públicas.

Embora o projeto de autorização para a operação de crédito ainda não tenha sido encaminhado oficialmente ao Legislativo municipal, o assunto já domina conversas entre vereadores, especialmente após reportagem publicada pela Folha do Maranhão revelando detalhes da possível proposta.

De acordo com fontes ligadas ao meio político, a proposta de contratação do empréstimo teria surgido ainda durante a gestão do ex-prefeito Eduardo Braide. O que chama atenção é que, apesar de ter se posicionado contra os empréstimos aprovados pela Assembleia Legislativa para o Governo do Estado, Braide agora vê vir à tona uma operação que, segundo interlocutores, teria sido planejada dentro de sua própria administração.

Nos bastidores, a avaliação é de que o ex-prefeito adota um discurso contraditório ao criticar o endividamento de outras esferas de governo, enquanto estudos técnicos e planejamentos para uma operação semelhante teriam sido elaborados durante seu mandato. As informações indicam que o financiamento chegou a ser discutido internamente, mas não foi formalizado antes do encerramento da gestão, evitando desgastes políticos para quem pretende disputar o Governo do Maranhão e sustenta o discurso de que deixou as finanças da capital em situação confortável.

Para que a operação de crédito seja efetivada, a prefeita Esmênia Miranda precisará da autorização da Câmara Municipal de São Luís. Nos bastidores, também circulam informações sobre intensas negociações políticas para garantir a aprovação da matéria, incluindo a possível ampliação da liberação de emendas parlamentares.

A gestão municipal já contaria, segundo interlocutores, com a simpatia do presidente da Câmara, Paulo Victor (PSB), que nas últimas semanas tem demonstrado maior proximidade política com setores ligados ao grupo do ex-prefeito Eduardo Braide. A expectativa é que o Executivo trabalhe para construir maioria suficiente e assegurar a aprovação do projeto.

Além do aval dos vereadores, a prefeitura precisará cumprir exigências legais, incluindo a obtenção de certidões de regularidade fiscal e a comprovação de capacidade de endividamento perante os órgãos de controle, requisitos indispensáveis para a contratação de financiamentos dessa magnitude.

Caso a proposta avance, o debate sobre a situação financeira da capital maranhense tende a ganhar força. Durante seus mandatos, Eduardo Braide costumava afirmar que sua gestão realizava obras e investimentos sem recorrer a empréstimos. Agora, uma eventual operação de crédito conduzida por sua sucessora poderá colocar em prática um projeto concebido ainda em sua administração, mesmo em um cenário de crescimento da arrecadação municipal nos últimos anos.

Diante desse contexto, surgem questionamentos que certamente deverão ser respondidos pela atual e pela antiga gestão. Se havia mais de R$ 2 bilhões disponíveis em caixa ao fim do mandato anterior, por que a prefeitura precisaria recorrer a um novo empréstimo bilionário tão cedo? Os recursos anunciados pelo ex-prefeito permanecem disponíveis? A nova administração enfrenta mais dívidas do que receitas a receber? Ou a operação de crédito faz parte de um planejamento herdado da própria gestão Braide?

As respostas para essas perguntas serão fundamentais para esclarecer à população da capital maranhense a real situação financeira da Prefeitura de São Luís e a necessidade — ou não — de ampliar o endividamento do município.

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