ELEIÇÕES

Desempenho do Partido Novo foi um fracasso nas eleições 2020

Após sucesso em 2018, desempenho do Novo frustra Amoêdo, que cobra reflexão

Dois anos depois de uma rápida ascensão nas eleições gerais de 2018, o Novo teve um desempenho abaixo do esperado por suas lideranças na disputa municipal de 2020 e fez apenas 29 vereadores. O partido não elegeu prefeito no último domingo (15).

No segundo turno, marcado para o próximo dia 29, a legenda terá uma única aposta: o empresário Adriano Silva, que disputa a prefeitura de Joinville (SC) contra o deputado federal Darci de Matos (PSD). Se eleito, Adriano será o primeiro representante da sigla a chegar ao Executivo municipal. Hoje o Novo conta com o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, vitorioso em 2018.

O desempenho do partido também ficou restrito este ano a seis estados das regiões Sul e Sudeste: Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul (veja a lista dos eleitos no fim desta reportagem). A configuração aponta que o partido ainda não possui capilaridade nas demais regiões do país.

Figura central no partido, João Amoêdo avaliou que o desempenho da legenda no pleito de 2020 ficou “aquém daquilo que se esperava”, e sugeriu que os resultados sirvam como alerta e reflexão. Amoêdo deixou a presidência nacional do Novo em março deste ano. Em 2018, alcançou 2,5% dos votos na disputa presidencial, ficando na quinta colocação, à frente de Alvaro Dias (Podemos) e Marina Silva (Rede).

Esta é a segunda eleição municipal que o Novo disputa desde sua criação. Em 2016, sua primeira participação eleitoral, o Novo concorreu em cinco municípios e elegeu quatro vereadores. Desses, dois foram reeleitos: Janaina Lima, em São Paulo, e Felipe Camozzato, em Porto Alegre. “O Novo cresce com sustentabilidade e no longo prazo”, diz texto de divulgação no site do partido.

O deputado Tiago Mitraud (MG), vice-líder do partido na Câmara dos Deputados, vê avanços do Novo na Câmara Municipal de Belo Horizonte, onde o partido saltou de um para três vereadores, e pondera que a ampliação deve ser esperada no médio e longo prazos.

“Eu diria que a gente teve um crescimento sólido, especialmente aqui em BH, com uma qualidade muito grande de vereadores eleitos e um volume de votos tranquilo para um partido que só havia disputado uma eleição municipal antes, sem usar recurso público, com a maior parte dos candidatos na primeira experiência política”, avaliou Mitraud. “A gente saiu de quatro vereadores em 2016 para 29 este ano. Me parece que é um resultado bem expressivo”, completa.

Deputados do Novo e do Psol lideram transparência no Congresso

Em 2018, o Novo conseguiu levar o outsider Romeu Zema ao governo de Minas Gerais. No Legislativo, fez uma bancada de oito deputados federais, além de 11 deputados estaduais e uma distrital. João Amoêdo ficou em quinto lugar na disputa para a Presidência da República, com quase 2,7 milhões de votos. O desempenho de Amoêdo foi bastante celebrado pela agremiação.

No segundo turno das eleições de 2018, o Novo não declarou apoio a nenhum dos dois candidatos à Presidência. Porém, Zema e Amoêdo declararam voto em Jair Bolsonaro como forma de marcar posição contra o PT.

Apesar da proximidade com o governo federal, especialmente na área econômica, o Novo se classifica como independente. Em 2020, Amoêdo e outros integrantes do partido criticaram Bolsonaro pela forma com que enfrenta a pandemia e pelo atraso no avanço das reformas. Uma outra ala do partido se mantém próxima do Palácio do Planalto, representada pelo governador Romeu Zema. Oficialmente, a sigla nega que haja divisões. O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, deixou o partido para não ser expulso. Ele nunca foi considerado um representante da legenda no governo.

Sem recursos públicos e sem coligações

Fundado em 2011, o Novo obteve registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2015. Com mais de 41 mil filiados em todo o Brasil, o partido se coloca como maior expoente do liberalismo no país e conta com figuras ligadas ao empreendedorismo em seus quadros.

A legenda faz processos seletivos para aspirantes a cargos públicos, com entrevistas, análises de currículo e da situação financeira. Em 2018, o Novo se inspirou na seleção dos trainees de grandes empresas para escolher seus candidatos ao Congresso.

Como mostrado pelo Congresso em Foco, o Novo é o único partido a não receber recursos públicos para as campanhas eleitorais. Este ano, o partido teria direito a mais de R$ 36 milhões do fundo eleitoral. Ao renunciar aos recursos públicos, candidaturas do Novo passam a depender do autofinanciamento e de doações voluntárias de apoiadores, o que muitas vezes dificulta a situação de candidatos menos favorecidos financeiramente.

Além disso, o Novo também recusou coligações e lançou candidatos em chapas “puro-sangue”, isto é, sem composição com outras siglas. O deputado Tiago Mitraud reconhece que esses fatores dificultam o desempenho da sigla, já que os demais partidos se valem de recursos públicos para bancar suas candidaturas. “Estamos nos propondo a fazer as coisas de forma diferente. É uma estratégia de mais longo prazo. Eu tenho certeza que isso se justifica e  que, aos poucos, conseguiremos ter mais adeptos e garantir resultados cada vez melhores”.

Candidaturas ao Executivo

Ainda sem sucesso no Executivo local, o Novo lançou candidatos a prefeito em 28 cidades. Em Belo Horizonte, o partido foi representado pelo engenheiro Rodrigo Paiva. Mesmo com o apoio do governador Romeu Zema, ele terminou em quinto lugar, com 3,63% dos votos válidos, o equivalente a 44.977 eleitores. O vencedor foi o atual prefeito, Alexandre Kalil, do PSD.

Na capital paulista, o Novo lançou Filipe Sabará na corrida à prefeitura. No entanto, o candidato foi expulso da sigla a partir de um processo disciplinar que tratava de “inconsistências em seu currículo”. Sabará também foi alvo de críticas de correligionários ao elogiar a gestão de Paulo Maluf e por alterar sua declaração de bens saltando de R$ 15 mil para R$ 5 milhões.

O partido acabou ficando sem candidatura no maior colégio eleitoral do país. Pesquisa Ibope do início de outubro mostra que Sabará não chegava a 1% das intenções de votos. O segundo turno em São Paulo será disputado por Bruno Covas (PSDB) e Guilherme Boulos (Psol).

No Rio de Janeiro, o escolhido foi Fred Luz, ex-CEO do Flamengo. Ele terminou no nono posto, com 1,76%, atrás de Eduardo Bandeira de Mello (Rede), que presidiu o rubro-negro quando Fred era dirigente da equipe. Eduardo Paes (DEM) e Marcelo Crivella (Republicanos) vão ao segundo turno.

Outros candidatos a prefeito em capitais foram: João Guilherme, em Curitiba (PR); Paulo Henrique Grando, em Cuiabá (MT); Guto Scarpanti, em Campo Grande (MS); e Charbel Maroun, em Recife (PE).

Veja a relação dos(as) eleitos(as) pelo Novo: 

Região Sudeste

MINAS GERAIS

Belo Horizonte: Marcela Trópia, Fernanda Altoé e Bráulio Lara

Poços de Caldas: Kleber Silva

RIO DE JANEIRO

Rio de Janeiro: Pedro Duarte

SÃO PAULO

Campinas: Paulo Gaspar

Ribeirão Preto: André Rodini

São Caetano do Sul: Thai Spinello

São José dos Campos: Thomaz Henrique

São Paulo: Janaina Lima (reeleita) e Cris Monteiro

Região Sul

PARANÁ

Curitiba: Indiara (mais votada) e Amalia

RIO GRANDE DO SUL

Canoas: Jonas Dalagna

Caxias do Sul: Mauricio Marcon (mais votado) e Mauricio Scalco

Porto Alegre: Felipe Camozzato (reeleito) e Mari Pimentel

Santa Cruz do Sul: Leonel Garibaldi

SANTA CATARINA

Balneário Camboriú: Lucas Gotardo (o mais votado e reeleito)

Blumenau: Emmanuel Santos e Diego Nasato

Florianópolis: Manu Vieira

Jaraguá do Sul: Rodrigo Livramento e Sirley Schappo

Joinville: Alisson, Érico Vinicius e Neto Petters

São José: Cryslan

Por Flávio Said (Congresso em Foco)

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