Devastação e a Saúde Mental dos Gaúchos
Artigo escrito e publicado pelo Professor Pedro Sobrinho

Além da tragédia climática anunciada no Rio Grande do Sul, há o prejuízo psicológico que traumatizou milhares de pessoas. Um evento como esse deixará marcas profundas não só na paisagem do estado, mas também na subjetividade e memória dos gaúchos.
Se o Rio Grande do Sul não será mais o mesmo, a forma de administrar o estado também não poderá ser mais a mesma. E que esta triste realidade nos ensine a pensar o meio ambiente como política de um Estado Máximo e não PALIATIVA, além de conscientização social profunda pois a Natureza é Vida e Viva.
Enfim, estamos diante de um trauma. O que está acontecendo nesse momento no Rio Grande do Sul – e que já dura tantos dias – ainda vai durar muito tempo. E que o país lamenta e se solidariza.
Assim como a covid e seus milhares de mortos – com famílias que ainda hoje estão de luto – as cidades devastadas, os mortos e desaparecidos, e os gaúchos que perderam suas casas, seus parentes e seus trabalhos, seus passados e suas ideias de identidade, tudo isso vai durar tempo demais para que a gente não possa estender a mão, seja ela qual for, na direção do sul do país.
Para quem está longe como eu e não sabe como agir além de fazer uma doação, eu gostaria de sugerir aqui um projeto de escuta. E não só sobre os dias de horror.
A vida já é um mar de solidões e de faltas de garantias e de amores que acabam e de álbuns de infância alagados. Em horas como essas, falar de saúde mental deve entrar em qualquer manual de primeiros socorros.
São milhares de angustiados com saudades de suas casas, em pânico, sozinhos e sonhando com suas mães e suas camas ou, no mínimo, com alguém que atenda o telefone no meio da noite. Que esse alguém seja cada um de nós, e que a pauta da saúde mental entre de uma vez por todas na sala de jantar.
Por Pedro Sobrinho (Instagram)



