Em Coelho Neto-MA, Soliney Silva e seu filho Bruno Silva agora são adversários políticos irreconciliáveis
Após eleger o filho como prefeito, ex-prefeito Soliney Silva foi escanteado da gestão e agora apoia a oposição.

A política é, de fato, imprevisível. Mas o que acontece em Coelho Neto-MA chama atenção não apenas pela movimentação política, mas pelo drama familiar que a envolve. Em um cenário de ruptura que já dava sinais, o ex-prefeito Soliney Silva, pai do atual prefeito Bruno Silva, rompeu de vez com o filho e declarou apoio público à oposição liderada pelo vereador Samuel Aragão e à tradicional família Furtado.
A notícia caiu como uma bomba nos bastidores políticos da cidade. O que antes era apadrinhamento, virou embate. Soliney, que governou Coelho Neto e articulou a eleição do filho, agora é seu principal adversário. A ruptura não é apenas política — é pessoal.
Segundo aliados próximos, Bruno teria escanteado o pai após assumir a prefeitura, tentando tomar para si o controle do grupo político que foi construído por Soliney ao longo dos anos. A traição política se transformou numa divisão familiar que expõe as entranhas de uma disputa movida pela sede de poder.
“Essa história nos toca profundamente. Por trás das disputas políticas, existem pessoas reais, com sentimentos e relações complexas. Não foi justo Bruno Silva afastar o próprio pai pela ganância do poder. Isso é temporário — dura 4 ou 8 anos — depois acaba. E se ele faz isso com o pai, imagina com o povo?”, escreveu um internauta nas redes sociais.
Sinais da nova aliança
Na última semana, o vereador Samuel Aragão (PDT) — hoje principal nome da oposição — protagonizou um episódio envolvendo um terreno próximo ao Corredor da Folia, alegando perseguição política da prefeitura, que isolou a área para garantir a segurança e a organização dos eventos culturais do Festejo de Sant’Ana.
Mesmo sem envolvimento direto, Soliney entrou em cena e saiu em defesa do vereador nas redes sociais. Em áudios espalhados por grupos de WhatsApp, o ex-prefeito chegou a incentivar a derrubada da estrutura de isolamento “a pontapés”, o que poderia causar confusão e desordem no evento religioso.
A atitude, interpretada como ato de rebeldia contra o próprio filho, foi mais um sinal da nova aliança entre Soliney e o grupo de oposição. Para reforçar o movimento, o ex-prefeito apareceu ao lado de vereadores oposicionistas durante a missa do festejo, na sexta-feira (25), em evento amplamente fotografado e compartilhado como mensagem política clara contra Bruno Silva.
Rompimento sem volta
A escolha de Soliney pode até ser interpretada como uma tentativa de retomar protagonismo político na cidade — alguns acreditam tratar-se de um gesto estratégico de olho nas eleições de 2028. Mas, para outros, o rompimento não passa de consequência do desprezo de Bruno Silva pela figura paterna.
Hoje, em Coelho Neto, é público e notório que pai e filho não se falam há anos. Segundo fontes próximas, Soliney só não passou fome porque não depende do filho. A relação, que deveria ser de confiança e continuidade, virou caso de disputa e ressentimento.
Na política dizem que água e óleo podem se misturar, mas em Coelho Neto poder e sangue se separaram — e de forma irreversível.
Fonte: CNENQUETES



