ROSÁRIO-MA

Falta de atendimento a criança de 6 anos expõe descaso da gestão Jonas Magno com a saúde pública em Rosário-MA

Mesmo após contrato de mais de R$ 3 milhões para locação de equipamentos médicos, criança com suspeita de traumatismo craniano teve que ser levada às pressas para São Luís — e quase não chegou viva.

A saúde pública de Rosário (MA) vive um colapso sob a gestão do prefeito Jonas Magno (PDT). Mesmo com um contrato milionário firmado com a empresa Central de Laudos e Serviços Ltda, no valor de R$ 3.369.600,00 (Três milhões, trezentos e sessenta e nove mil, e seiscentos reais), para a locação de equipamentos médicos hospitalares, uma criança de apenas seis anos, com suspeita de traumatismo craniano, precisou ser transferida às pressas para São Luís — porque os exames não estavam disponíveis no hospital da cidade.

O contrato entre a Prefeitura de Rosário e a empresa, sediada em Timon (MA), prevê a locação de diversos equipamentos essenciais, como ultrassom, raio-X, mamógrafo, tomógrafo computadorizado, impressoras de filme, injetores de contraste, entre outros, para uso da Secretaria Municipal de Saúde. Porém, na prática, a população segue desassistida.

O caso ganhou repercussão após denúncia do jornalista Carlos Afonso, que acompanhou a ocorrência e revelou detalhes chocantes: a ambulância do SAMU que transportava a criança que havia sofrido uma queda de bicicleta quebrou na BR-135, na altura do Campo de Perizes, e ficou parada por cerca de 40 minutos. Desesperada, a irmã da vítima — que acompanhava a criança — começou a pedir carona no meio da rodovia, temendo pela vida da menina.

Segundo relato do jornalista, que foi chamado pela família da criança, um policial militar — o sargento Dias, do 27º BPM de Rosário — passava pelo local, parou e prestou socorro. A acompanhante pegou a criança nos braços e seguiu com o policial até São Luís, onde ela foi finalmente atendida.

A situação revoltou familiares e moradores, sobretudo porque nenhum médico ou enfermeiro teria acompanhado a criança até a capital, evidenciando um cenário de negligência extrema. “Foi preciso contar com a sorte e entregar nas mãos de Deus. Parabéns ao sargento Dias, que fez o que era obrigação do poder público”, escreveu Carlos Afonso nas redes sociais.

Outro caso grave de negligência no hospital de Rosário

No último dia 4 de junho, outro caso causou comoção. O morador Anselmo Peixeiro deu entrada no hospital de Rosário com sintomas graves, dores e sangramento, mas teria sido liberado pela médica plantonista, segundo relato de familiares. Após dias sem diagnóstico, ele foi transferido para São Luís, onde acabou diagnosticado com dengue hemorrágica no Hospital Municipal Djalma Marques (Socorrão I). Internado na UTI do Hospital da Mulher, Anselmo não resistiu e faleceu.

Investimentos questionáveis e cobrança por justiça

Diante desses episódios, moradores de Rosário questionam a eficácia dos contratos firmados pela Prefeitura, que, apesar de valores milionários, não garantem atendimento digno à população. Falta estrutura, faltam profissionais capacitados e, principalmente, falta compromisso com a vida.

Há também suspeitas sobre a legalidade e execução do contrato com a empresa de Timon. Cabe ao Ministério Público e a Câmara de Vereadores investigarem se os aparelhos realmente foram entregues e estão em uso, ou se o contrato é apenas mais um documento de fachada para desviar recursos públicos.

A reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Rosário e com a Secretaria Municipal de Saúde, mas não obteve resposta até o fechamento desta matéria. O espaço segue aberto para manifestação das autoridades.

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