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Flávio Dino entrega Casas de Farinha e Ambev compra a produção de mandioca

A falta de conhecimento pode levar os produtores de mandioca ao encontro com a miséria em um futuro bem próximo

É meio incoerente para o governador Flávio Dino, quando diz que está investindo na agricultura familiar com entrega de Casas de Farinha para os produtores rurais e ao mesmo tempo incentiva o agricultor de subsistência vender sua produção de mandioca para a Ambev fabricar cerveja, a famosa Magnífica. Para quem produz em grande escala poderia ser uma opção de investimento a curto prazo, mas para quem produz apenas para o consumo alimentar, pode ser um tiro no pé, principalmente pelo valor pago pela Ambev no quilo de mandioca.

A mandioca cultivada por pequenos produtores rurais na Baixada Maranhense, principalmente no município de Bequimão, está sendo comercializada para a Ambev produzir a cerveja Magnifica, produto maranhense lançado no final do ano passado e que tem total apoio do governador Flávio Dino. Se comparado ao valor pago aos produtores de Santa Rita-MA, quando venderam 50 toneladas do produto, saindo o quilo da mandioca a R$0,53 centavos, os produtores de subsistência poderão ficar ainda mais pobres. No cultivo da mandioca o produtor  rural aproveita o caule para plantio ou ração de animais, a casca e as folhas para ração de animais, o tucupi para fazer sabão ou colocar em pimenta e a goma para fazer tapioca, além da borra para fazer mingau nutritivo. Com a venda somente da mandioca, tudo é jogado “fora”.

As informações que chegaram até nossa redação dão conta de uma negociação de cerca de 100 toneladas de mandioca envolvendo cerca de dez pequenos produtores. No primeiro carregamento, realizado na semana passada, foram entregues quase 30 toneladas. Nas próximas três semanas, os produtores estarão envolvidos na entrega do restante da produção. A iniciativa não fomenta a agricultura local e contribui para uma crise de falta de farinha na região. O que pode ficar ainda mais cara se caso isso acontecer.

No valor R$0,53 centavos por quilo de mandioca, uma tonelada seria vendida por R$534,00. Já cem toneladas sairia por R$53.400,00. Seria uma excelente grana para quem produz em grande escala. Se uma tonelada produz 200 quilos de farinha e 50 quilos de goma (tapioca). Fazendo um cálculo bem simples, os 200 quilos de farinha vendidos a R$5,00 o quilo, somaria R$1.000,00 e mais os 50 quilos de tapioca vendidos a R$7,00 somaria, mais R$350,00, totalizando R$1.350,00. Agora soma 100 toneladas de mandioca transformando em farinha somaria R$134.000,00, diferença sem comparação. Falta só abrir os olhos para não ser usado por ricos.

O Governo do Maranhão recentemente firmou parceria com a Ambev para a ampliação dos investimentos no Estado. O diálogo com grandes empresas visa dar prosseguimento a estratégia econômica do Governo baseada em investimentos públicos – a exemplo de programas como Mais Asfalto e Escola Digna. Mas o governador esqueceu que se isso se estender sem um planejamento, o número de pessoas e municípios que podem ingressar no Programa Mais IDH será muito grande, já que a pobreza pode voltar a perseguir quem nunca se livrou ou aumentar ainda mais no interlan maranhense.

A produção da nova cerveja é fruto de parceria entre a Ambev e o Governo do Maranhão, que, após rodada de conversas, estabeleceu a ampliação de investimentos da empresa no Estado. Na primeira fase, 78 famílias associadas ao Tabuleiro fornecerão mandioca para a produção da Magnífica. A estimativa é que, até o final de 2019, duas mil famílias de agricultores sejam agregadas ao projeto. O que não pode acontecer é o produtor vendendo seu produto por R$0,53 centavos e depois ir comprar farinha de R$10,00 o quilo no comercio do vizinho. Isso se encontrar, já que a escassez poderá ser o grande fator em um futuro bem próximo.

Se isso continuar desse jeito, onde o produtor vende sua produção de mandioca por R$0,53 ou até R$0,54 o quilo, o trabalhador irá ficar sem mandioca, sem farinha e sem dinheiro, É uma aposta que deve gerar mais pobreza na zona rural fazer com que a farinha e tapioca que vierem de outros estados cheguem a preço de ouro para o consumidor maranhense. Os sindicatos deveriam orientar os produtores rurais e mostrar as vantagens e desvantagens.

Em Bequimão por exemplo, fui informado que a tonelada está sendo vendida a R$540,00. Ai você pode falar que é uma boa grana. Eu também falo o mesmo, se o produtor tiver em grande escala, movimenta a economia. Mas 98% dos produtores de mandioca no município trabalham de forma primitiva, sem ajuda da tecnologia e produzem pouco, o que as vezes não é suficiente para colocar na mesa da família durante o ano inteiro. Na grande maioria não chega produzir 10 toneladas por safra, principalmente quando a safra é feita nos primeiros 10 meses (setembro e outubro), já que o plantio acontece sempre nas primeiras chuvas de janeiro. Para que dobre a produção, o trabalhador deixa para colher com 14 ou 15 meses, mas nem todos os produtores conseguem fazer isso por causa da necessidade.

A pergunta que fica é: Para quê vai servir as Casas de farinha que estão sendo entregues e inauguradas pelo Governo do Maranhão na zona rural do Maranhão, já que a Ambev está comprando a produção de mandioca?

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6 Comentários

    1. Como filho de produtor e produtor rural, para melhorar a vida dos agricultores a melhor forma é transformar em farinha, pondo na mesa e se der para vender, aproveitar a alta do preço a partir de maio. Caso contrário, vão vender a mandioca por centavos e comprar farinha a R$10 reais o quilo, si tiverem grana para comprar.

  1. Não concordo nem um pouco com essa postagem
    1 só vende quem tem produção de mandioca
    2 o produtor pra vender um quilo de farinha de 5 reais é muito cara de pau quem diz isso
    3 meu irmão perdeu mais de 100 mil quilos de mandioca a farinha muito barata que não cobre quase que a dispensa e sem ter pra quem vender a mandioca tá lá toda perdida, 4 essa postagem deve ter cido algum empresário do ramo agrícola que tá tentando derrubar o produtor que tá vendo uma oportunidade de ganhar um dinheiro a mais
    Desculpas os erros de português sou lavrador e vejo uma grande oportunidade em ter uma renda maior

    1. Deixa teu endereço aqui que quero fazer uma matéria com você. Quero conhecer um lavrador que produz mais de 20 toneladas de mandioca. O bom empreendedor faz a farinha para esperar preço. O empreendedor desinformado, vende barato e compra caro.

  2. Eu sou filho de produtor e nasci e me criei fazendo farinha fazendo para viver e digo uma coisa entre eu vender a farinha ou a mandioca prefiro vender a mandioca mesmo pq agente leva a farinha para vender quando chega la querem dar de 80 a 100 reais numa quarta no maximo !!!!
    Talvez o povo pensa q agente só planta e arranca ai ja sai a farinha num imaginam o trabalho q temos e alem do mais fazemos todo manual da arranca ate a torração num tem essa de forno elétrico e decascadeira para facilitar o serviço não !!!
    Fico indignado com isso essas casas de farinha só vai piorar nosso negócio pq eles fazem tudo na manha e agente se matando para vender ate mais barato q eles se dúvida !!!
    Vou ee vender minha produção toda pra Ambev

  3. Meu amigo muito boa a materia só que vc estar esquecendo o custo de produção e a mão de obra que queira trabalhar na área … Produzir farinha ou goma vamo lá certo, primeiro o cara que arrancar a mandioca, o carro que vai transportar a mandioca, as pessoas na diária que vão descascar a mandioca, as que vão colocar no pubeiro, ralar, preençar, o forneiro que vai torrar a farinha, o rango de todo mundo, se o forno for elétrico tem energia pra pagar se for a lenha tem que comprar madeira …. Tudo é um custo e a mão de obra estar escarça e cara …. Mas gostei muito da sua matéria vc estar de parabéns … Se tivesse mão de obra sobrando no mercado, compensaria produzir na casa de forno e não vender pra AmBev

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