MARANHÃO

Flávio Dino tem contradição entre discurso e prática

No mundo virtual, governador vende um Maranhão que só existe na propaganda. No mundo real, população passa fome, está desempregada e sofre

O ano de 2022 teve início com o governador Flávio Dino (PSB), infectado pelo novo coronavírus, após uma festa de Réveillon no Palácio dos Leões, que ficou conhecida como “Viradão do Covidão”. Além disso, segue mantendo sua decisão de renunciar ao cargo até 31 de março para participar das eleições gerais deste ano como candidato a senador, mas cercado de dúvidas quanto a escolha dos nomes que devem disputar sua sucessão, deixando os aliados confusos.

Embora tenha decidido, por opção pessoal, pelo vice-governador Carlos Brandão (PSDB), o socialista ascendeu uma esperança nos demais pré-candidatos do grupo que seguem almejando entrar na disputa como o senador Weverton Rocha (PDT) e o secretário da SEINC, Simplício Araújo (SD), que chegam para a reunião no final deste mês, mantendo seus projetos intactos nas eleições gerais.

Enquanto “embroma” alguns de seus aliados, o governador segue nas redes sociais vendendo um Maranhão que só existe mesmo na propaganda. No mundo real, vemos um crescimento da população passando fome, desempregada e sofrendo.

Desde o final do ano passado, o blogue do jornalista Isaías Rocha vem enumerando contradições entre o que diz o governador e a realidade da maioria dos 6,851 milhões de maranhenses.

Dados do IBGE mostram que em 2018, ano da reeleição de Flávio Dino, 62,2% dos lares maranhenses apresentavam situação de insegurança alimentar. O termo é utilizado para caracterizar a falta de acesso regular e permanente à alimentação, em quantidade e qualidade adequadas.

Quando se trata de emprego e renda, a divulgação de notícias e ações do governo maranhense também não condizem com a realidade. A verdade é que o estado bateu novo recorde histórico de desempregados no 2º trimestre de 2021 e a taxa de desocupação atingiu 17,2% da população em idade de trabalhar.

Além disso, dos que estão empregados, 60,5%% estão na informalidade, segundo o IBGE. Em números absolutos, são 457 mil pessoas desempregadas em todo o estado, o que corresponde a um aumento de 20,4% em relação ao mesmo período de 2020.

Dados oficiais comprovam as contradições entre discurso e prática no Maranhão (Foto: Reprodução)

Contradições expostas

Desde 2019, quando foi inserido definitivamente no debate nacional, as críticas diretas de Flávio Dino ao presidente da República, Jair Bolsonaro (PL), também exacerbou as contradições do seu governo em nível local. Na época, o governador tinha feito reiteradas críticas à Reforma da Previdência.

O problema, entretanto, era que enquanto opinava sobre a Previdência Nacional, Flávio Dino acumulava déficits seguidos na Previdência Estadual. Nos últimos exercícios financeiros, os gastos do governo maranhense com pensões e aposentadorias tinham sido, em média, entre R$ 500 milhões e R$ 600 milhões a mais do que o arrecadado.

Além disso, no final do mês de março daquele ano, a Secretaria de Estado do Planejamento e Orçamento (Seplan) chegou a publicar um “Demonstrativo da Projeção Atuarial do Regime Próprio de Previdência dos Servidores” no qual admite que – se mantidas as regras atuais – já em 2022, último ano do governo Flávio Dino, o déficit acumulado da Previdência estadual será de R$ 3,1 bilhões.

Não é o que parece

A postura do governador é semelhante ao ditado “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”, regularmente usado para denegrir alguém, que demonstra maus exemplos em suas atitudes.

É válido para as pessoas que costumam dar palpites, mas não agem, assim como diz o ditado “o discurso é ótimo, mas as ações…” ou ainda “na teoria é uma coisa, mas na prática é outra”.

Flávio Dino vai encerrar o mandato ao som do “piseiro” [dança de forró], prometendo muita coisa aos aliados, em vez de orientá-los no caminho da conscientização. Vai deixar o poder odiado pela classe política, rejeitado por seus quase ex-aliados e ignorado pelo povo.

Até lá, provavelmente, estará bem familiarizado com outra expressão: “Quem pariu Mateus que o embale… “, cujo uso se dá nos casos em que alguém cria algum problema e, portanto, deve ser responsável por ele.

Por Isaías Rocha

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