Governador Carlos Brandão consegue aprovação de empréstimo bilionário na Assembleia Legislativa
Projeto foi aprovado em regime de urgência pela base governista e gerou críticas da oposição sobre falta de transparência e aumento da dívida pública.

O governador Carlos Brandão mostrou, mais uma vez, que manda e desmanda dentro da Assembleia Legislativa do Maranhão. Bastou o Palácio dos Leões sinalizar e a base governista entrou em campo para aprovar, em regime de urgência, um novo empréstimo bilionário para o Estado.
A proposta, aprovada nesta quinta-feira (7), autoriza o Governo do Maranhão a contratar mais de R$ 2,5 bilhões em financiamentos junto a instituições financeiras. A votação acelerada e sem amplo debate gerou forte reação da oposição, que questiona a falta de transparência sobre a aplicação dos recursos e o impacto da dívida para os maranhenses.
Nos bastidores da política estadual, muitos parlamentares já davam como certa a aprovação. Afinal, não é a primeira vez que a base governista atua de forma alinhada aos interesses do Palácio. Deputados aliados já aprovaram aumento de ICMS, assinaram requerimentos estratégicos e agora deram sinal verde para mais um empréstimo de peso.
O líder da oposição na Assembleia Legislativa, deputado Othelino Neto, votou contra a matéria e criticou duramente a condução da votação. “Estamos falando de financiamentos bilionários junto a instituições financeiras sem sabermos as devidas condições. Nós, da oposição, votamos contra essa autorização automática para ampliar o endividamento público sem transparência”, afirmou.
Também votaram contra o projeto os deputados Carlos Lula, Rodrigo Lago, Ricardo Rios, Júlio Mendonça, Wellington do Curso, Leandro Bello e Dra. Vivianne. O grupo oposicionista argumenta que uma operação financeira desse tamanho não poderia ser aprovada de forma apressada, sem detalhamento técnico e sem discussão aprofundada com a sociedade.
A rapidez da tramitação também virou alvo de críticas. A utilização de requerimento de urgência para votar um projeto dessa magnitude, às vésperas do período eleitoral, levantou ainda mais desconfiança entre oposicionistas e setores da sociedade.
Para críticos da medida, a população tem o direito de saber detalhadamente como os recursos serão utilizados, quais obras ou áreas serão priorizadas e qual será o peso dessa nova dívida no futuro das contas públicas do Maranhão.
Enquanto bilhões são autorizados em novos financiamentos, o Maranhão continua convivendo com problemas históricos em infraestrutura, saúde, educação, mobilidade e serviços públicos básicos. A avaliação da oposição é que falta planejamento e sobra propaganda.
“Não é razoável aprovar bilhões em empréstimos sem discussão profunda e sem apresentar garantias concretas de retorno para a população”, reforçou Othelino.
Nos bastidores, também circulam relatos de que empresas contratadas pelo Estado enfrentam dificuldades para receber pagamentos de obras e serviços executados. Segundo informações levantadas junto a construtores, existem atrasos acumulados em contratos antigos, inclusive em obras já entregues ou inauguradas oficialmente pelo governo.
A nova operação financeira aprovada pela Assembleia deve aumentar ainda mais o debate político sobre endividamento público, prioridades do governo e o uso dos recursos estaduais em um momento sensível do calendário político maranhense.



