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Mesmo com o Nhozinho Santos fechado, Braide assina sexto contrato no valor de R$8 milhões para manutenção do gramado do estádio

Estádio está interditado há mais de quatro meses, mas empresa segue faturando com contrato de R$ 8 milhões assinado pela gestão municipal.

A farra com dinheiro público em São Luís parece não ter limites — e ocorre à luz do dia, diante da omissão da Câmara de Vereadores e da apatia do Ministério Público. Mesmo com o Estádio Municipal Nhozinho Santos fechado, o prefeito Eduardo Braide (PSD) segue torrando recursos públicos com a manutenção de um espaço que não recebe partidas oficiais há quase cinco meses. A informação foi publicada pelo jornalista Clodoaldo Corrêa e confirmada pelo Portal G7.

A mais recente assinatura do prefeito, via Instituto Municipal da Paisagem Urbana (IMPUR), é o sexto aditivo contratual com a empresa B M Almeida Eireli, que tem razão social de Evollution Serviços, localizada na Rua dos abacateiro, no Jardim São Francisco, responsável pela jardinagem e manutenção paisagística de campos de futebol, incluindo o gramado do Nhozinho Santos. O valor do contrato entre a empresa de Benigno Matias de Almeida e a Prefeitura de São Luís chega a R$ 8 milhões.

O contrato também prevê serviços de capina e roçagem em outras áreas, mas a principal estrutura mencionada é o Nhozinho Santos — justamente o equipamento urbano que permanece fechado desde março, com um breve intervalo de funcionamento em fevereiro, quando recebeu apenas quatro jogos do Campeonato Maranhense.

Contrato herdado e má gestão

Chama atenção o fato de o contrato ser herdado da gestão de Edivaldo Holanda Júnior, e, mesmo após quase cinco anos de mandato, Eduardo Braide ainda não ter realizado nova licitação para o serviço. A justificativa da Prefeitura é genérica: “entraves operacionais internos”, como acúmulo de demandas nos setores administrativos e jurídicos. No entanto, o que se vê é a falta de iniciativa, fiscalização e zelo com o dinheiro do contribuinte.

A ausência de licitação própria e a sequência de aditivos sucessivos levantam suspeitas sobre a real finalidade do contrato, já que o estádio continua abandonado, enquanto a empresa permanece faturando com a promessa de manutenção de um espaço sem uso.

Estádio reabriu em situação precária

Fechado desde outubro do ano passado, o Nhozinho Santos só foi reaberto após pressão pública da Federação Maranhense de Futebol (FMF) e dos clubes da Série A do Campeonato Maranhense. Em resposta, a prefeitura anunciou a conclusão de uma “reforma” — que não existiu de fato — e Braide apareceu em vídeo chutando uma bola no gramado para promover o retorno dos jogos.

A encenação, no entanto, não resistiu ao primeiro apito: o gramado estava em péssimas condições, as cadeiras quebradas, os banheiros entupidos e os vestiários sujos e sem condições de uso. Após apenas quatro partidas, o estádio voltou a ser interditado, sem data prevista para nova reabertura.

Falta fiscalização e sobra descaso

O caso é um exemplo gritante de como a má gestão, a falta de transparência e a ausência de fiscalização por parte dos órgãos de controle e da Câmara de Vereadores de São Luís favorecem a perpetuação de contratos milionários sem efetiva prestação de serviço.

Enquanto clubes, atletas e torcedores amargam o abandono do principal estádio municipal, a empresa contratada continua renovando seu vínculo com a prefeitura, faturando milhões sem entregar o mínimo. É a velha “macacada” do poder público em plena vigência — e mais uma bola fora da gestão Braide.

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