Não tem como comparar André Fufuca com Pedro Lucas Fernandes
Perfis políticos distintos ajudam a explicar por que os dois parlamentares ocupam espaços diferentes dentro do cenário maranhense.

Todo mundo sabe que nunca tive simpatia política pelo deputado federal André Fufuca (PP), assim como também não mantenho relação de amizade com o deputado federal Pedro Lucas Fernandes (União Brasil), a quem inclusive já critiquei em diferentes momentos por posicionamentos adotados na Câmara Federal.
Mas uma coisa precisa ser reconhecida: politicamente, são perfis completamente diferentes.
Na minha avaliação, Pedro Lucas e André Fufuca representam duas formas distintas de exercer a política. E, apesar da juventude e da capacidade de articulação de Fufuca, considero que seu histórico recente alimenta uma percepção de excessiva flexibilidade política e baixa previsibilidade nas alianças que constrói.
Pedro Lucas, por outro lado, construiu sua trajetória com um estilo mais discreto, articulado e baseado na construção de grupo. Filho do ex-deputado Pedro Fernandes, demonstrou ao longo da carreira capacidade de diálogo, respeito aos aliados e compreensão do peso da coletividade dentro da atividade política.
Já André Fufuca, ao menos sob a ótica de sua atuação pública, sempre transmitiu uma imagem mais pragmática e voltada à ocupação de espaços de poder. Desde que chegou a Brasília, transitou por diferentes composições políticas e demonstrou disposição para ajustar seu posicionamento conforme as mudanças do cenário nacional.
Esse comportamento ajuda a explicar por que parte da classe política maranhense enxerga Fufuca como um aliado circunstancial, enquanto Pedro Lucas costuma ser visto como alguém mais previsível dentro dos grupos que integra.
Os episódios lembrados por seus críticos reforçam essa leitura. Em 2016, Fufuca esteve entre os deputados que votaram pelo impeachment da então presidente Dilma Rousseff. Posteriormente, integrou a base de sustentação do governo Michel Temer. Nos anos seguintes, aproximou-se politicamente do campo bolsonarista durante o período de maior força do ex-presidente Jair Bolsonaro e, mais recentemente, passou a integrar a base de apoio do presidente Lula.
Na política, mudar de posição não é novidade nem ilegal — isso acontece com frequência. Mas existe uma diferença entre reposicionamento político e a percepção pública de conveniência eleitoral. E é justamente nesse ponto que Fufuca concentra boa parte das críticas que recebe.
No Maranhão, os movimentos mais recentes também alimentaram especulações sobre sua relação com diferentes grupos estaduais. Enquanto era tratado como aliado do governador Carlos Brandão e aparecia como opção em futuras composições, circularam interpretações de bastidores sobre aproximações paralelas com outros projetos políticos.
Se essas movimentações tiveram ou não peso nas decisões futuras do grupo governista, apenas os próprios atores políticos poderão esclarecer. O fato é que, neste momento, Pedro Lucas parece ter preservado mais espaço político interno do que André Fufuca.
Daí nasce a comparação feita por muitos observadores: para quem valoriza estabilidade de grupo, previsibilidade e construção coletiva, Pedro Lucas representa um perfil político mais confiável. Já Fufuca carrega o desafio de convencer que suas mudanças de posição são fruto de estratégia e não de conveniência.
No fim das contas, a política costuma premiar quem consegue construir confiança de longo prazo. E confiança, em qualquer grupo político, continua sendo um ativo que vale mais do que discursos de ocasião.
Existe uma máxima antiga na política: alianças podem mudar, mas reputações levam anos para serem construídas e minutos para serem questionadas. Quando mudanças frequentes passam a ser interpretadas como cálculo político, o desgaste inevitavelmente aparece.
É dentro dessa leitura que André Fufuca enfrenta críticas de parte de seus observadores e adversários. Para esse grupo, sua trajetória recente consolidou uma imagem de maior adaptação ao cenário do que de fidelidade política — percepção que, justa ou injustamente, hoje acompanha seu nome.
Por João Filho – Jornalista, radialista e pesquisador da história do rádio no Maranhão.



