MARANHÃO

Orleans Brandão alimenta deputados na Cabana do Sol e Felipe Camarão representa Lula em ato de construção de casas em Nina Rodrigues-MA

Vice-governador participou de agenda do Minha Casa Minha Vida Rural enquanto o sobrinho do governador segue forçando popularidade com políticos na base aliada

A diferença entre um Bebê Reborn político e um gestor público de verdade ficou evidente mais uma vez nesta sexta-feira (4), no Maranhão. De um lado, o vice-governador Felipe Camarão (PT) representou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em uma importante agenda institucional no município de Nina Rodrigues, onde participou da assinatura de ordem de serviço para construção de 50 casas populares pelo programa Minha Casa Minha Vida Rural, destinadas a famílias do Quilombo Amapá dos Lucindos. A ação garante moradia digna para dezenas de famílias em situação de vulnerabilidade.

Do outro lado do cenário político, Orleans Brandão, sobrinho do governador Carlos Brandão (PSB), segue em sua operação de marketing político tentando viabilizar uma pré-candidatura ao Palácio dos Leões. O herdeiro do clã Brandão, apelidado nos bastidores como “Bebê Reborn”, busca apoio na base governista distribuindo agrados e refeições fartas na tradicional Cabana do Sol, num esforço escancarado de conquistar deputados “pela barriga”.

A simbologia dos dois movimentos é marcante: Camarão, o professor, caminha ao lado do povo e do governo federal, com agendas reais e institucionais; Orleans, o neófito político, aposta no velho jogo fisiológico de barganhas e bajulações, com o apoio silencioso – porém poderoso – do tio Marcus Brandão, que mesmo sem cargo formal, seria quem de fato dá as cartas nos bastidores da Assembleia Legislativa.

A participação de Felipe Camarão na agenda federal é também interpretada como mais um gesto de confiança do núcleo nacional do PT, que já começa a posicionar nomes para a sucessão estadual de 2026. Lula, que sabe bem o que é ser traído por aliados camaleônicos, tem confiado a Camarão pautas sensíveis e estratégicas, como a luta pela liberação dos precatórios da educação, enquanto assiste o governador Carlos Brandão flertar com a direita maranhense e nacional.

Brandão, tido como bolsonarista enrustido, teria se aproximado do campo lulista em 2022 por conveniência eleitoral, a pedido do então ministro Flávio Dino. Hoje, governa o Maranhão mantendo o discurso progressista apenas na superfície, mas avançando um projeto familiar de poder com fortes tintas coronelistas e conservadoras.

O contraste não poderia ser mais explícito: de um lado, o vice-governador alinhado com o povo, com o social e com Lula; do outro, um projeto de poder dinástico, artificial e sem raízes populares. A eleição de 2026 pode, desde já, estar sendo desenhada — e os maranhenses certamente saberão distinguir entre quem serve um banquete para deputados e quem entrega dignidade a famílias quilombolas.

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