LEGISLATIVO

Paulo Victor ou Gutemberg Araújo: quem será eleito presidente da Câmara?

Eleição da mesa diretora da Câmara de São Luís promete muitas emoções até abril

Aquele provérbio, de que treino é treino e jogo é jogo, nem sempre funciona, principalmente no mundo político. Em São Luís, o assunto mais badalado nos últimos meses nos bastidores é justamente a eleição da mesa diretora da Câmara Municipal de São Luís para o biênio 2023/2024. Desde meados de 2021, vários pré-candidatos se assanharam, mas até agora apenas dois sobrevivem: Paulo Victor (PCdoB), com apoio do Palácio dos Leões e Gutemberg Araújo (PSC), com apoio do Palácio Lá Ravadière. Ainda tem o vereador Aldir Júnior (PL), que continua remando sozinho contra a maré tentando buscar um porto seguro nessa guerra.

O jovem vereador de primeiro mandato, Paulo Victor, tem se movimentado bastante, conversado com todos os vereadores e alas ideológicas dentro da Câmara em busca de apoio e votos. Já por outro lado, Gutemberg Araújo, experiente parlamentar, ficou o tempo todo acomodado, aguardando um possível parecer do prefeito Eduardo Braide, o que pode facilitar ou atrapalhar na hora de buscar apoio, já que Braide não está muito bem na foto com os próprios parlamentares aliados, imagina com os opositores.

Um dos que havia lançado pré-candidatura, vereador Raimundo Penha (PDT), desistiu da ideia e anunciou na rede social apoio a Gutemberg, assim como deve acontecer com os demais parlamentes do PDT, incluindo o atual presidente Osmar Filho. Penha afirmou ainda que o médico e vereador Dr. Gutemberg (PSC) foi escolhido como o nome de consenso da base do prefeito Eduardo Braide (Podemos) para disputar as eleições da Câmara de São Luís. Penha agradeceu ainda o apoio que recebeu.

Por outro lado a candidatura de Paulo Victor está parecendo mais estruturada, o jovem vereador tem garantido apoios declarados de vários vereadores, como Umbelino Júnior (PDT), Concita Pinto (PCdoB), Antônio Garcêz (PTC), Jhonatan Soares (PT), Edson Gaguinho (DEM), Domingos Paz (Podemos) e Thyago Freitas (DC), mas é claro que muita coisa pode mudar, em se tratando de eleição da Câmara de São Luís, a história por si fala tudo. Com declaração de apoio do prefeito Eduardo Braide a candidatura de Gutemberg, literalmente o jogo será iniciado a partir de agora.

HISTORICAMENTE A ELEIÇÃO DA CÂMARA MUDA NO DIA

Assim como na eleição municipal, a disputa pela presidência da Câmara costuma atrair a atenção da mídia, mas o que esse cargo tem para despertar maior interesse do público em geral? Esse não seria um assunto interno dos vereadores que, na verdade, pouco importa à vida da maioria dos cidadãos ludovicenses?

Na prática, devido a essa posição privilegiada, o presidente da Câmara exerce um papel de destaque na relação desta com o poder Executivo. Ele tanto pode facilitar quanto dificultar o relacionamento entre o prefeito e a coletividade dos vereadores, sendo decisivo para a aprovação de leis e projetos, bem como para dar maior ou menor autonomia ao poder Legislativo frente aos outros poderes.

A eleição da Mesa Diretora continua há quase 10 anos sem ter qualquer tipo de disputa entre os 31 vereadores. O último confronto ocorreu em 2013, durante a gestão do primeiro mandato do então prefeito Edivaldo Júnior. Naquele ano o Palácio Lá Ravadière sofreu uma derrota acachapante.

Naquele pleito interno, a chapa “Resistência e Governabilidade” encabeçada pelo vereador Isaias Pereirinha, venceu por 19 votos a 12 a chapa do governo Edivaldo, denominada chapa “Renovação Já”, que tinha como candidata Helena Duailibe, que após a derrota, virou secretária de Saúde e cedeu a vaga para o então suplente, Osmar Filho.

Curiosamente o chamado “acordão” ou “consenso” entre os próprios parlamentares como eles mesmos gostam de chamar, se iniciou de forma independente e, apesar da interferência do prefeito da época, o resultado acabou sendo favorável a Pereirinha que encaminhou sua reeleição, após muito diálogo.

Em 2017, os novatos do Palácio Pedro Neiva de Santana também fizeram barulho afirmando que poderiam construir uma chapa contra os “experientes” do Parlamento, já que 12 dos 31 parlamentares eram de primeiro mandato. No entanto, a tal articulação ficou apenas no discurso, o que garantiu a reeleição de Astro de Ogum à presidência. A projeção também foi a mesma em relação ao atual presidente da Casa, vereador Osmar Filho (PDT) em 2019 e 2021.

Para o pleito que será realizado no próximo mês de abril, mais uma vez um movimento paralelo com apoio de forças externas, foi criado para tentar fazer frente na disputa, mas, o desenrolar do processo, pode confirmar novamente outro fracasso.

As vésperas de mais uma eleição interna, a principal pergunta que movimenta os bastidores da disputa é a seguinte: pode ocorrer alguma reviravolta em relação à Dr. Gutemberg, Penha ou Aldir? A resposta é clara e curta. Claro que pode, Raimundo Prenha já jogou a tolha ao declarar apoio a Gutemberg e Aldir Júnior pode jogar para ser vice de uma das chapas, já que o PL tem dois vereadores na Câmara, o que seria dois votos garantidos a quem aceitar a proposta.

Em política tudo é possível, mas como disse essa semana, o decano Astro de Ogum, em bate-papo com colegas da imprensa, logo após as oitavas da CPI, na Câmara. “São três grupos tentando se fortalecer para derrotar um, né? Se não conseguiram em um ano, por quais motivos isso poderia ocorrer em menos de dois meses do processo?”, declarou Astro.

Com informações do Blogue do Jornalista Isaías Rocha (editado)

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