Pedido de prisão contra Marcel Curió é encaminhado à Justiça e decisão pode sair a qualquer momento
Irmão do prefeito de Turilândia é apontado pelo Ministério Público como integrante de suposto esquema que teria desviado R$ 56 milhões dos cofres públicos.

Um pedido de prisão preventiva teria sido formulado contra Marcel Everton Dantas Silva, conhecido como Marcel Curió, e aguarda análise do Poder Judiciário, segundo fontes do G7. Segundo informações apuradas pelo G7, a medida pode ser decretada a qualquer momento. Marcel é irmão do prefeito de Turilândia, José Paulo Dantas Silva Neto, o Paulo Curió (União Brasil), e é apontado como um dos integrantes do suposto esquema de corrupção investigado pelo Gaeco.
Marcel Curió é citado nas investigações que apuram o desvio de aproximadamente R$ 56 milhões dos cofres do município de Turilândia. De acordo com o MP, ele teria papel relevante na estrutura da organização criminosa supostamente montada para fraudar licitações, desviar recursos públicos e lavar dinheiro.
Ex-prefeito de Governador Nunes Freire, Marcel responde a ação penal por organização criminosa e lavagem de dinheiro naquele município, onde o prejuízo estimado aos cofres públicos chega a R$ 31,8 milhões. Para o Ministério Público, após a derrota eleitoral de Marcel em 2020 e 2024, o núcleo familiar teria transferido a atuação do esquema para Turilândia, onde Paulo Curió venceu as eleições.
Operação Tântalo II
A nova fase da Operação Tântalo, deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas), resultou em decisão da desembargadora Graça Amorim, do Tribunal de Justiça do Maranhão, que determinou a prisão preventiva de dez pessoas e a prisão domiciliar com uso de tornozeleira eletrônica de outras 11.
Entre os principais alvos estão o prefeito Paulo Curió e sua esposa, a primeira-dama Eva Curió, que se encontram presos no Complexo Penitenciário de Pedrinhas, em São Luís. Também figuram entre os investigados a vice-prefeita Tanya Mendes (PRD) e seu marido; a ex-vice-prefeita Janaína Soares Lima e o esposo; além dos 11 vereadores do município, que, segundo o Ministério Público, teriam recebido propina em troca de apoio político e omissão na fiscalização das contas do Executivo.
Turilândia possui cerca de 31,6 mil habitantes e apresenta IDH de 0,536, considerado muito baixo pelo IBGE. O município depende quase integralmente de transferências da União e do Estado (97,24%). Mais de 40% da população é beneficiária do Bolsa Família, e a cidade conta com apenas duas escolas de ensino médio, nenhum hospital e saneamento básico que atende apenas 2% da população, dados citados na decisão judicial.
Núcleo familiar investigado
Além de Paulo Curió, Marcel Curió e Eva Curió, outros membros da família aparecem como supostos beneficiários do esquema. O pai do prefeito, Domingos Sávio Fonseca Silva, conhecido como Domingos Curió, teria participado da execução parcial de obras para simular o cumprimento de contratos. A irmã, Taily de Jesus Everton Silva Amorim, teria tido mensalidades escolares pagas com recursos desviados, enquanto a mãe, Angela Maria Everton, recebeu transferência de R$ 15 mil, supostamente determinada pelo próprio prefeito.
Agora, cabe ao Judiciário decidir se acolhe ou não o pedido de prisão preventiva contra Marcel Curió. Segundo o Gaeco, ele seria um dos principais articuladores do suposto esquema criminoso que teria provocado prejuízo milionário aos cofres públicos de Turilândia.



