POLÍCIA

Prefeito João Victor Xavier confessa ter matado policial no Maranhão

Sobrinho de Erlânio Xavier diz à polícia que agiu em legítima defesa, mesmo atirando nas costas da vítima

A Polícia Civil do Maranhão se manifestou nesta segunda-feira (7) sobre a apresentação espontânea do prefeito de Igarapé Grande, João Victor Xavier, investigado pela morte do soldado da Polícia Militar, Geidson Thiago dos Santos, ocorrida na noite do último domingo (6) durante uma vaquejada na cidade de Trizidela do Vale.

Ao prestar depoimento na Delegacia Regional de Presidente Dutra, o prefeito confessou ter efetuado os disparos que mataram o policial, alegando legítima defesa. João Victor, que é filho do prefeito de Bernardo do Mearim, Júnior Xavier, e sobrinho do ex-presidente da Famem, Erlânio Xavier, também afirmou não possuir porte de arma de fogo e que jogou a arma fora logo após o crime.

Mesmo com a confissão, ausência de porte e descarte da arma, o delegado responsável pelo depoimento do assassino, César Ferro, optou por não prender o prefeito, alegando que não havia situação de flagrante, já que o acusado se apresentou horas depois do homicídio. O delegado, segundo apuração do portal G7, seria filiado ao PDT e pré-candidato a deputado estadual em 2026 — mesmo partido do prefeito João Victor e de sua família.

A Polícia Civil informou que, por se tratar de um investigado com foro por prerrogativa de função, o caso será encaminhado ao Tribunal de Justiça do Maranhão. O inquérito, porém, continuará sendo conduzido pela Delegacia Regional de Pedreiras, responsável pela circunscrição do crime.

No entanto, especialistas em direito penal consultados pela reportagem questionam a decisão do delegado César Ferro, destacando que o acusado confessou o homicídio, estava em posse ilegal de arma e ainda ocultou o instrumento do crime. Para esses juristas, a apresentação espontânea não descaracterizaria, por si só, o flagrante, especialmente diante da gravidade dos fatos e da tentativa de descarte de provas.

A repercussão do caso levanta dúvidas e indignação popular: Se fosse o contrário — se o policial tivesse matado o prefeito — o tratamento seria o mesmo? E se o autor dos disparos fosse um “Zé Ninguém” ou um jovem periférico, sem sobrenome influente, ele também seria liberado?

Mais uma vez, o Maranhão é confrontado com a velha questão: a lei é igual para todos ou depende do sobrenome e do partido político? A sociedade assiste, perplexa, à seletividade do sistema judicial, onde um prefeito confesso de homicídio armado ilegalmente sai livre pela porta da frente da delegacia, enquanto outros são presos preventivamente por muito menos.

A pergunta que fica é: o que de fato configura crime no Brasil? A letra da Constituição ou o peso da influência política?

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