Prefeitura de São Luís atrasa repasses do Fundeb e professores de escolas comunitárias estão há 5 meses sem salário
Professores denunciam cinco meses sem receber salários e alertam para risco de fechamento de unidades comunitárias na capital.

Uma denúncia feita pelo professor Railson Santos acendeu o alerta sobre a grave crise enfrentada pelas escolas comunitárias de São Luís. Segundo os relatos, profissionais da educação estão há cinco meses sem receber salários por conta do atraso nos repasses de recursos do Fundeb por parte da Prefeitura da capital maranhense.
De acordo com a denúncia, o problema teria começado ainda na gestão do prefeito Eduardo Braide, que teria deixado quatro meses de pagamentos atrasados. Já na atual condução da Secretaria Municipal de Educação (Semed), comandada por Esmênia Miranda, o atraso teria avançado para o quinto mês consecutivo.
Os trabalhadores afirmam que desde janeiro os repasses não chegam às instituições, mesmo com o município recebendo regularmente milhões de reais do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb).
“O problema não é em uma ou duas escolas comunitárias, mas em todas. A Semed sempre alega pendências documentais, mas é impossível que todas as escolas estejam com as mesmas pendências. Isso não faz sentido. Ninguém dá tiro no próprio pé. É interesse das escolas receber os valores”, afirmou o professor Railson Matos.
Segundo os denunciantes, a burocracia dentro da Secretaria Municipal de Educação tem sido utilizada constantemente como justificativa para os atrasos, enquanto professores, coordenadores e demais trabalhadores seguem acumulando dívidas e enfrentando dificuldades financeiras.
Profissionais que procuraram o G7 relataram que muitos trabalhadores dependem exclusivamente do salário das escolas comunitárias para sustentar suas famílias e afirmam que a situação já se tornou insustentável.
“São pais, mães, profissionais da educação, seres humanos que dependem dos seus salários para sobreviver. Estamos há cinco meses sem receber aquilo que é nosso por direito”, diz trecho da manifestação enviada pelos trabalhadores.
Os relatos apontam ainda que diversas escolas comunitárias correm risco de fechamento por falta de condições financeiras para manter o funcionamento das atividades básicas.
Além dos prejuízos aos profissionais, a crise também ameaça diretamente milhares de crianças atendidas por essas unidades, principalmente em comunidades carentes e áreas de maior vulnerabilidade social da capital maranhense.
Os trabalhadores também cobram mais transparência da Prefeitura de São Luís e exigem um cronograma oficial para regularização dos pagamentos.
“Pedimos apenas respeito. Pedimos que olhem para nós como qualquer outro trabalhador merece ser olhado. Se coloquem no nosso lugar: como sobreviver cinco meses sem receber?”, questionaram.
Segundo dados apresentados pelos denunciantes, somente entre janeiro e maio de 2026, a Prefeitura de São Luís recebeu mais de R$ 252 milhões em repasses do Fundeb.
Confira os valores informados:
- Janeiro: R$ 68.830.746,89
- Fevereiro: R$ 59.820.831,09
- Março: R$ 50.596.919,27
- Abril: R$ 55.799.094,37
- Maio: R$ 17.092.891,55
Mesmo diante dos altos valores recebidos pelo município, os profissionais afirmam que as escolas comunitárias seguem abandonadas e sem respostas concretas da gestão municipal.
Até o momento, a Prefeitura de São Luís e a Secretaria Municipal de Educação ainda não divulgaram um cronograma oficial para regularização dos pagamentos denunciados pelos trabalhadores.



