Presidente da FMF, Antônio Américo passa a receber salário de R$ 215 mil mensais
Revista Piauí revela bastidores da articulação de Ednaldo Rodrigues para se manter no comando da CBF e isolar Ronaldo Fenômeno.
Uma reportagem da revista Piauí trouxe à tona os bastidores da reeleição do presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ednaldo Rodrigues, que foi reconduzido ao cargo com apoio unânime: 100% dos votos das 27 federações estaduais e dos clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro.
Entre os pontos mais controversos da matéria está o reajuste salarial aprovado na gestão de Ednaldo para os presidentes das federações estaduais. O valor passou de R$ 70 mil para R$ 215 mil mensais — um aumento de mais de 200%. Um dos beneficiados é o presidente da Federação Maranhense de Futebol (FMF), Antônio Américo, no cargo desde 2011. O dirigente completa 14 anos à frente da entidade e articula sua permanência com o apoio de clubes das Séries A e B do Campeonato Maranhense e de todas as ligas do interior do estado.
Antônio Américo chegou à presidência da FMF com a promessa de uma gestão interina de apenas 30 dias. No entanto, permaneceu no cargo e, desde então, segue no comando do futebol maranhense, apesar das críticas e da fragilidade do cenário esportivo local. O Campeonato Maranhense é frequentemente apontado como um dos mais fracos do país, atrás inclusive de estados com menos tradição futebolística, como Roraima, Rondônia, Acre, Tocantins e Amapá. A competição sofre com calendário irregular, ausência de premiações, desorganização e falta de transparência.
O contraste entre os altos salários dos dirigentes e o abandono do futebol local levanta questionamentos. Escândalos envolvendo a FMF já foram denunciados anteriormente, e há um clamor por atuação mais firme do Ministério Público. Para muitos, seria o momento ideal para a promotora Lítia Cavalcanti agir como fez no passado com o ex-presidente da federação, Alberto Ferreira, que foi afastado após uma série de denúncias.
A reportagem da Piauí reacende o debate sobre a estrutura de poder no futebol brasileiro e a urgência de uma reforma no sistema federativo esportivo. O aumento salarial de R$ 145 mil, aprovado em meio à articulação pela reeleição de Ednaldo Rodrigues, levanta a pergunta inevitável: foi apenas uma política de reconhecimento ou uma clara compra de votos?



