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“A Justiça no Maranhão tem sobrenome?”

Artigo escrito e publicado por João Filho - Jornalista, Radialista e Pesquisador

No Maranhão, a aplicação da justiça depende do peso do sobrenome e da filiação partidária. Foi o que se viu com o prefeito de Igarapé Grande, João Victor Xavier, que confessou ter assassinado um policial militar com cinco tiros — pelas costas — durante uma vaquejada em Trizidela do Vale.

Sem porte de arma, sem apresentar a arma do crime, e mesmo assim foi liberado pelo delegado César Ferro, supostamente filiado ao PDT — mesmo partido do prefeito e de sua família, uma das mais influentes do estado. Ferro, inclusive, é apontado como pré-candidato a deputado estadual em 2026.

Confessou o crime, destruiu provas, e nada aconteceu. Disseram que não houve flagrante porque ele “se apresentou voluntariamente” horas depois. Mas o cidadão comum, o pobre, o sem influência, não teria essa sorte — esse “privilégio jurídico”.

A pergunta que o povo maranhense faz é simples: E se fosse o PM que tivesse matado o prefeito?
Ou se fosse um cidadão comum, sem pai prefeito, nem tio ex-presidente da Famem? Teria a mesma sorte, a mesma oportunidade ou privilégio?

É essa seletividade que corrói a confiança da sociedade no sistema de justiça. É essa blindagem seletiva que transforma a impunidade em norma e a lei em peça decorativa.

João Victor Xavier confessou. Mas, no Maranhão, confessar um crime não significa ser preso — basta ter as conexões certas, os aliados certos, e o partido certo.

Enquanto isso, a família do soldado Geidson chora em silêncio, e os maranhenses se perguntam: o que mais precisa acontecer para um assassino confesso ser tratado como criminoso?

Enquanto João Victor Xavier dormia em sua cama quente, o corpo do pol´cial era velado diante de amigos e familiares. E mais uma vez, no estado inde pistola flutua na baía de São Marcos, um prefeito confessa crime e vai pra casa jantar com os amigos, familiares e advogados.

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