Antônio Américo faz CBF recorrer contra afastamento e estaria chantageando clubes
Entidade máxima do futebol indica interventor e suspende repasses para a FMF e clubes maranhenses

Afastado do comando da Federação Maranhense de Futebol (FMF) por decisão da Justiça, Antônio Américo tentou dar o troco à altura — ou melhor, abaixo da linha da cintura — e agora conta com o apoio da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para pressionar clubes maranhenses e enfrentar a intervenção judicial determinada pela Vara de Interesses Difusos e Coletivos de São Luís.
Nesta terça-feira (5), a CBF protocolou embargos de declaração contra a decisão que afastou Américo e toda a diretoria da FMF, acatando pedido do Ministério Público do Maranhão. A decisão judicial nomeou a advogada Susan Lucena como administradora provisória da entidade, com a missão de reestruturar administrativamente a federação e convocar eleições em até 90 dias.
No recurso, a CBF alega que houve “omissão” no julgamento ao desconsiderar sua petição para atuar como assistente simples no processo. A confederação também alerta para supostos “impactos” da intervenção sobre a autonomia federativa garantida pela Constituição e pela chamada lex sportiva — o conjunto de normas da FIFA e da CONMEBOL que regulam o futebol internacional.
Mas a parte mais polêmica do documento está no item 35 dos embargos: a CBF anuncia que suspenderá todos os repasses financeiros para a FMF e para os clubes maranhenses, e que as equipes do estado estão proibidas de disputar competições nacionais enquanto durar a intervenção.
A medida afeta diretamente clubes que participam da Série D do Campeonato Brasileiro, além de torneios de base e futebol feminino, escancarando uma tentativa de chantagem institucional com ares de retaliação.
Para reforçar sua tentativa de desautorizar a Justiça maranhense, a CBF propôs o nome do presidente da Federação Sergipana de Futebol, Milton Dantas, para assumir interinamente o comando da FMF. Segundo a entidade, Dantas já integra o sistema CBF e teria experiência na condução de federações regionais.
Além disso, a confederação pede que os efeitos da decisão judicial sejam suspensos imediatamente até o julgamento final dos embargos, sob o argumento de que a intervenção comprometeria a “legalidade das competições em curso” e traria “danos irreparáveis” ao futebol local.
Na prática, o que se vê é uma tentativa de blindagem de Antônio Américo, que tenta transformar uma decisão judicial legítima em um embate político e institucional, jogando os clubes maranhenses como reféns de uma manobra desesperada.
O processo segue em tramitação e aguarda nova manifestação do Judiciário.



